
Domingo, primeira paragem obrigatória na Madeleine para a missa e subir aos céus a cantar o "Gloria". A sério, é indescritível!
Bem, já cá estou há algumas semanas e ainda não desci os Champs Élysées! Portanto, hoje redimi-me da minha falta! Ao som da banda sonora obrigatória para o efeito (Joe Dassin novamente!), lá percorri a avenida com “le coeur ouvert à l'inconnu”. E como o sol continuava a brilhar lá no céu, metade dos parisienses e turistas deve ter tido a mesma ideia – um autêntico mar de gente!
Esta avenida, tida como “la plus belle avenue du monde” (ligeiramente discutível!), estende-se da Place de la Concorde até à Place Charles de Gaulle, num total de 2 km de comprimento. É nesta “artéria vital” de Paris que encontramos lojas para quem quer gastar mmuuuiiittooo dinheiro, do género Louis Vuitton e Cartier.
Fui até à Place Charles de Gaulle para admirar o gigantesco Arco do Triunfo, mandado construir por Napoleão para honrar as suas vitórias. Antigamente, esta rotunda gigante era conhecida por Place de l’Etoile, uma vez que dela partem 12 grandes avenidas (Wagram, Hoche, Friedland, Champs-Élysées, Marceau, Iéna, Kléber, Victor Hugo, Foch, Grande-Armée, Carnot, Mac-Mahon). Diz-se que as companhias de seguro não cobrem totalmente os acidentes tidos nesta praça já que, devido ao volume de trânsito, é praticamente impossível saber quem tem a culpa (será só um mito?). Resumindo e concluindo, se eu algum dia conduzisse em Paris, este seria uma local a evitar, dado as minhas "super" capacidades de condução (principalmente no campo dos “piscas que não são ligados” e das “travagens à Bia”).
De seguida, meti-me pela Avenue Hoche até ao Parc Monceau, um jardim do tipo “english garden”, muito verde e simpático eternizado por Monet em algumas das suas telas. Por entre as árvores e lagos, é possível encontrar estátuas de Chopin, Guy de Maupassant e Gounod. O local ideal para, com um sol espectacular, ler um pouco do meu novo livro - Un amor méconnu (em francês, está claro!)... Ah! E tem Wi-Fi de acesso livre e gratuito - jolie!! Mas há que dizer que nem sempre este parque conheceu dias tão solarengos: foi aqui que teve lugar o massacre de 1871 após a formação da Comuna.
É mesmo ao lado deste belo jardim que se encontra o Musée Cernuschi (Museu das Artes Asiáticas) e, sendo gratuito, há que visitar! Nele, é possível admirar a colecção de arte do extremo Oriente de Henri Cernuschi, focada principalmente na arte Chinesa. Uma viagem desde o Paleolítico até aos dias de hoje, vale a pena!
Depois desta paragem, segui pelo Boulevard des Batignolles, tendo como pano de fundo a colina de Montmartre e o seu inconfundível Sacré-Coeur, até chegar à Rue de Rome. Apesar de ser domingo - logo as lojas estão fechadas - pude caminhar por aquela que é por excelência a rua dos luthiers, onde se pode cheirar a madeira a dar vida a novos instrumentos. Definitivamente, a voltar brevemente num dia de semana ou num sábado e "perder" algum tempo a "descobri-la"!
Em Saint-Lazare, cortei na Haussman em direcção a Saint-Augustin onde se ergue uma igreja num estilo bizantino (com um grande ponto de interrogação) cuja fachada, vista ao longe, não sei porquê, lembra-me a Basílica de São Marcos (Veneza)… Deve ser por causa da cúpula…
E nada como acabar em grande, no ponto de partida – Madeleine – para um “dimanche musical”: um recital de órgão por Markus Sterk com obras de Schumann, Chopin e, claro, Bach! E um pequeno brinde: para acabar foi tocado um dos meus “Bachs” favoritos: a Fantasia em Sol Maior (BWV 572). Posso quase jurar que o chão e as paredes tremeram!