Friday, October 29, 2010

Piqui on the Top of the World

Parece que a minha irmã pequenina hoje passa a ser "grande"... Para mim continuas sempre a mesma Piqui!


E aqui vai: http://www.youtube.com/watch?v=IISaqrS_XpQ&feature=related

Wednesday, October 27, 2010

(música)^2

Depois de uns dias vividos em clima de «uma espécie de "folles journées" parisienses» (com uma companhia "milhões" de estrelas), em que se respirou muita música, aqui fica a frase da semana (autoria Nuno Branco, sj): "Há momentos em que vivemos atormentados com a falta de perfeição que encontramos em nós próprios. Talvez por isso, convém lembrar que a conversão demorada faz parte da nossa condição humana. Não somos como o Criador, somos criaturas."

Tuesday, October 19, 2010

Germinal ??


Depois de mais um fim de semana com algum frio, algum estudo, algum decanso e muitas "promenades"... trabalho!!
Espera! Trabalho??? Náááaa... Parece que é só para alguns; os franceses estão a ser "atacados" por uma epidemia que não é nova por estas bandas (digamos que "o bichinho" já por cá anda - oficialmente - desde o século XIX): a greve.
--> Greve: palavra de origem francesa (grève) que deriva da "place de Grève" em Paris, perto do "Hôtel de Ville". Este local constituia um dos principais pontos de atracagem de barcos; era também aí que se reuniam os desempregados e operários insatisfeitos com as condições de trabalho.

Começo a perceber que "greve" é mais do que parar por uns dias e aproveitar para descansar, passear ou fazer umas compras... "greve" é algo que já está escrito no DNA dos franceses, fruto de uma apuradíssima selecção natural em que sobreviveram apenas os que possuiam as características mais favoráveis (tais como: levantar o punho mais do que "X" metros acima da cabeça, gritar mais alto que a vendedora da feira, fazer um olhar ameaçador que congela qualquer inimigo...). Em termos biológicos, traduz-se por qualquer coisa do género: "mutação por substituição de G por A no tripleto CGT inserido na posição *** do gene XPTO, no braço longo do cromossoma **, com transmissão autossómica dominante e penetrância de 100%"!

Ok, algo genético, eu percebo... mas não perco nada se pedir: "Deixem-se de birras e venham lá trabalhar!!... e sim, eu digo a expressão mágica: "s'il vous plaît"?!)

Thursday, October 14, 2010

Mlle. Djindjain


Cansada mas feliz.

Estes últimos dois dias foram passados na ala Djindjian da Neurochir. Graças às greves, estive sozinha, sem outros médicos e sem os meus dois colegas que estão comigo no serviço. E, apesar do nervosismo e do receio a falar e dizer alguma "asneira", correu tudo muito bem, com um saldo de 18 doentes/dia + visita ao serviço e apresentação de alguns doentes internados. Sei que os números não interessam, mas nada mau! ;)

É verdade, a palavra chave é mesmo "confiar"! Em quem?? Já se sabe... escreve-se com letra bem maiúscula!!



Wednesday, October 13, 2010

Sunday, October 10, 2010

Je m'baladais sur l'avenue... [Dimanche]


Domingo, primeira paragem obrigatória na Madeleine para a missa e subir aos céus a cantar o "Gloria". A sério, é indescritível!
Bem, já cá estou há algumas semanas e ainda não desci os Champs Élysées! Portanto, hoje redimi-me da minha falta! Ao som da banda sonora obrigatória para o efeito (Joe Dassin novamente!), lá percorri a avenida com “le coeur ouvert à l'inconnu”. E como o sol continuava a brilhar lá no céu, metade dos parisienses e turistas deve ter tido a mesma ideia – um autêntico mar de gente!
Esta avenida, tida como “la plus belle avenue du monde” (ligeiramente discutível!), estende-se da Place de la Concorde até à Place Charles de Gaulle, num total de 2 km de comprimento. É nesta “artéria vital” de Paris que encontramos lojas para quem quer gastar mmuuuiiittooo dinheiro, do género Louis Vuitton e Cartier.
Fui até à Place Charles de Gaulle para admirar o gigantesco Arco do Triunfo, mandado construir por Napoleão para honrar as suas vitórias. Antigamente, esta rotunda gigante era conhecida por Place de l’Etoile, uma vez que dela partem 12 grandes avenidas (Wagram, Hoche, Friedland, Champs-Élysées, Marceau, Iéna, Kléber, Victor Hugo, Foch, Grande-Armée, Carnot, Mac-Mahon). Diz-se que as companhias de seguro não cobrem totalmente os acidentes tidos nesta praça já que, devido ao volume de trânsito, é praticamente impossível saber quem tem a culpa (será só um mito?). Resumindo e concluindo, se eu algum dia conduzisse em Paris, este seria uma local a evitar, dado as minhas "super" capacidades de condução (principalmente no campo dos “piscas que não são ligados” e das “travagens à Bia”).
De seguida, meti-me pela Avenue Hoche até ao Parc Monceau, um jardim do tipo “english garden”, muito verde e simpático eternizado por Monet em algumas das suas telas. Por entre as árvores e lagos, é possível encontrar estátuas de Chopin, Guy de Maupassant e Gounod. O local ideal para, com um sol espectacular, ler um pouco do meu novo livro - Un amor méconnu (em francês, está claro!)... Ah! E tem Wi-Fi de acesso livre e gratuito - jolie!! Mas há que dizer que nem sempre este parque conheceu dias tão solarengos: foi aqui que teve lugar o massacre de 1871 após a formação da Comuna.
É mesmo ao lado deste belo jardim que se encontra o Musée Cernuschi (Museu das Artes Asiáticas) e, sendo gratuito, há que visitar! Nele, é possível admirar a colecção de arte do extremo Oriente de Henri Cernuschi, focada principalmente na arte Chinesa. Uma viagem desde o Paleolítico até aos dias de hoje, vale a pena!
Depois desta paragem, segui pelo Boulevard des Batignolles, tendo como pano de fundo a colina de Montmartre e o seu inconfundível Sacré-Coeur, até chegar à Rue de Rome. Apesar de ser domingo - logo as lojas estão fechadas - pude caminhar por aquela que é por excelência a rua dos luthiers, onde se pode cheirar a madeira a dar vida a novos instrumentos. Definitivamente, a voltar brevemente num dia de semana ou num sábado e "perder" algum tempo a "descobri-la"!
Em Saint-Lazare, cortei na Haussman em direcção a Saint-Augustin onde se ergue uma igreja num estilo bizantino (com um grande ponto de interrogação) cuja fachada, vista ao longe, não sei porquê, lembra-me a Basílica de São Marcos (Veneza)… Deve ser por causa da cúpula…
E nada como acabar em grande, no ponto de partida – Madeleine – para um “dimanche musical”: um recital de órgão por Markus Sterk com obras de Schumann, Chopin e, claro, Bach! E um pequeno brinde: para acabar foi tocado um dos meus “Bachs” favoritos: a Fantasia em Sol Maior (BWV 572). Posso quase jurar que o chão e as paredes tremeram!

Été Indien??!! [Samedi]


Sábado!

Logo de manhãzinha, resolvi calçar os ténis e ir correr um bocadinho nos jardins da Cité Universitaire… Infelizmente, parece que já estou destreinada! Ao fim de 15 minutos non-stop, achei que a minha hiperventilação dava direito a cair para ao lado a qualquer momento e tive o bom senso de parar!
Depois de mais uma aventura na lavandaria a tentar perceber como lavar a roupa naquelas máquinas industriais, dirigi-me para mais um ensaio em casa da Allison. A pouco e pouco (muito devagarinho!) as vozes vão ficando mais “educadas” e em algumas músicas já introduzimos as vozes de contralto e tenor. Pas mal!
A seguir à oração, voltámos para a casa da Allison que tem um patiozinho muitíssimo agradável, com mesa e guarda-sol, para um almoço de partilha. Era só escolher a nacionalidade: francesa, portuguesa, alemã, austríaca, canadiana, norte-americana, mexicana, egípcia… enfim, uma autêntica misturada onde a língua oficial era obviamente o francês (o inglês só mesmo, mesmo em último caso)! O almoço acabou por se estender pela tarde e só acabámos de comer por volta das 17h e tal. Acho que nunca comi tanto “pâté” e queijo na minha vida! Aprendi que o Roquefort deve ser acompanhado com vinho tinto e comprovo! Deve mesmo!
E para aproveitar o sol, ainda dei um passeio pelo Quartier Saint-Germain que, devo dizer, começa a tornar-se um dos meus locais favoritos aqui em Paris. Ah! Sim, porque neste momento, aqui por estas bandas, está um tempo extraordinário, com sol e calor de tal ordem que se anda na rua em t-shirt! Ainda pensei que este fosse o famoso “Été indien”… mas o Dassin torna claro que isso é coisa das Américas (C’était l’automne, un automne où il faisait beau, une saison qui n’existe que dans le Nord de l’Amérique, là-bas on l’appelle l’été indien). Não, pelo que estive a ler este é o «l’été de la Saint-Denis», o que condiz, uma vez que a festa deste santo foi no dia 9 de Outubro. Definitivamente, é óptimo para aquecer o coração e os franceses também parecem adorar: saem em peso à rua para passear e fazer compras – de facto, as ruas fervilham de gente, é impressionante! Dava jeito que o tempo se mantivesse mais umas semaninhas!
O regresso para casa é que foi uma aventura! Graças a mais uma ameaça de bomba na Porte d'Órleans, o metro teve que ser evacuado... Lá consegui descobrir um autocarro que - depois de dar uma mega volta, sem exageros - me levou até à Porte de Vanves, onde pude apanhar o tram. Isto não anda pacífico!
Enfim, depois de ainda ter lido umas coisinhas de pneumologia, nada como acabar o dia chez moi, acompanhada pela DomRadio.de :)

Il y a...

Mais uma semana… o que parecia no início ser praticamente insuperável lá se vai concretizando! Já começa a ser mais fácil falar com os doentes, perceber os diários clínicos… no fundo, já me estou a habituar à rotina no serviço! O que tem sido mais “chato” é adaptar toda uma semiologia clínica que aprendi em português (e inglês) ao francês. Aqui as dores não são pulsáteis, tipo opressão, etc, mas “en coup poignard”, “piqûre”, “type brûlure”, “en étau”, etc! mas, aos poucos, vai entrando. Também sinto falta de um acompanhamento médico: aqui os “externes” estão completamente sozinhos a ver todos os doentes internados, a rever a medicação e exames pedidos, e só vão falar com os médicos em caso de dúvida – e quando os conseguem apanhar, porque geralmente estão a operar.
Há dias que correm muito bem, há outros que nem por isso… na 5ªfeira passada foi um desses dias – apeteceu-me mesmo pegar nas minhas coisinhas e mandar tudo à fava, para não dizer outra coisa. Estava com um doente paraplégico que fez um traumatismo craniano grave com perda de conhecimento (esteve em coma na Réanimation durante um mês) numa briga quando estava a drogar-se (um “mocado em heroína” cheio de bactérias multirresistentes, que sorte, hã?!) e, juntando à festa, tinha uma paralisia parcial das cordas vocais. Ou seja: comunicação praticamente a tender para zero! No meio do meu desespero para o entender e me fazer entender, olhei pela janela e vi que lá ao fundo conseguia avistar o Sacré-Coeur! E pensei “caramba, estou mesmo em Paris! Chega de stresses e bora lá dar os 200%”! E a verdade é que tendo um espírito positivo a coisa torna-se mais fácil e os franceses até começam a parecer mais simpáticos!
E para acabar a semana em grande, encontrei um texto sobre o “arranque” na net, num site de um Padre Jesuíta que costumo visitar (
http://amar-tesomente.blogspot.com), do qual destaco este excerto: "Começar algo é, de certa maneira, assumir consequências do caminho percorrido, mesmo das etapas que não parecem importantes ou que preferíamos não ter passado. Estamos inteiros na nossa história, quer queiramos quer não. E sonhar com dias futuros, luz de fim do dia e reflexos de cores nas paredes da nossa casa, é um poema que escrevemos todos os dias. Com a melhor arte que temos: a Vida que pomos à disposição do mundo.”
C’est vrai…

Thursday, October 7, 2010

Há dias assim...

Musique du jour: Symphony n.2 mov.III, Rachmaninov (de preferência versão da NHK Symphony Orchestra; maestro: André Previn) VS Symphony n.2 mov. III, Balakirev

Sunday, October 3, 2010

Revoir Paris! [Dimanche]

Depois do dia e noite de ontem, juro que não sei como consegui acordar às 9h!

Depois de ir à missa à Madeleine (divinal!), decidi aproveitar o solzinho e explorar melhor o Quartier Marais, uma zona tipicamente bourgeois que se estende entre o 4ème e o 3ème arrondissements. Inicialmente uma zona pantanosa, acabou por se tornar um dos centros da aristocracia parisiense. Actualmente, nela reside uma importante comunidade judia. O Marais não foi praticamente atingido pela “restruturação “ de Haussman, conservando, portanto, ruas tortuosas e edifícios baixos, de todas as formas e feitos, interrompidos por pequenos jardins e palacetes. O meu primeiro objectivo era visitar o Musée Picasso (situado no Hôtel Salé), gratuito no primeiro domingo do mês. Infelizmente, parece estar fechado até à Primavera devido a obras de restruturação. Uma placa “muito engraçada” na entrada aconselhava os visitantes a visitar a exposição em Helsínquia ou noutros locais mais exóticos! Vou pensar no assunto…
Mais, pas de problème! O Marais tem muuuiiiittttoooo para ver! Já que estava próxima, resolvi visitar o Musée Carnavalet, ou melhor, o Museu da História de Paris. Este museu ocupa dois palacetes, o Hôtel Carnavalet e o antigo Hôtel Le Peletier de Saint Fargeau e alberga uma colecção de objectos relacionados com a história da cidade, desde o século XVI ao século XX: pinturas, esculturas, objectos do dia-a-dia, mobiliário,… Achei particularmente interessante a parte da exposição relativa ao século XIX (nomeadamente à Revolução Francesa, aos Impérios e Repúblicas). Não considero ser um museu absolutamente indispensável, mas se houver tempo e aproveitanto que é gratuito, porque não?
Próxima paragem: Musée Cognacq-Jay, um belíssimo museu que exibe a colecção privada do casal Ernest Cognacq e Marie-Louise Jay, que não deixou filhos e, portanto, doou toda a colecção à cidade de Paris. Entre uma conjunto excepcional de quadros, esculturas, cerâmicas e jóias (obras sobretudo do século XVIII), é possível encontrar pinturas de Jean-Honoré Fragonard e Rembrandt.
É impossível visitar o Marais sem passar pela movimentada Rue des Francs Bourgeois, onde, mesmo sendo domingo, todas as lojas estão abertas! Esta rua estende-se da Rue Rambuteau (que, se se lembram, começa perto do Centro Georges Pompidou) até à Place des Vosges, outro destino imperdível. Esta praça – uma das mais antigas da cidade - está rodeada por edifícios de tijolo vermelho e telhado escuro e tem no centro um agradável jardim com a estátua equestre de Luís XIII (a original foi “derretida” aquando da Revolução Francesa). A Place des Vosges foi edificada sobre o antigo palácio real das Tournelles com o intuito de a tornar num passeio público ladeado por residências para a nobreza e burguesia. Várias personalidades célebres habitaram neste espaço, entre elas o escritor Victor Hugo. E como não era tarde, resolvi ir “bater-lhe à porta”, na esperança que me dessem um cafezinho para acabar com a “minha-dor-de-cabeça-de-privação-de-cafeína”.
Não me deram um café, mas brindaram-me com uma entrada gratuita! (não foi mau!) O escritor romântico Victor Hugo (conhecido pelas obras “Os Miseráveis”, “O último dia de um condenado” e, é claro, “O Corcunda de Notre-Dame”) habitou no nº6 durante 16 anos (1832-1848) da sua atribulada vida. Apesar de ser um museu pequeno, reconstrói alguns salões e antecâmaras de algumas das moradas do escritor, inclusive o quarto onde faleceu.
Perto da bela Place está uma outra, a Place de la Bastille, local onde esteve erguida a conhecida Bastille, mandada construir pelo rei Carlos V de modo a proteger Paris a leste. No entanto, acabou por ser convertida numa prisão. Foi palco de inúmeros eventos, sendo de assinalar o seu assalto a 14 de Julho de 1789, naquilo que seria o acender do rastilho para a Revolução Francesa. Acabou por ser demolida e grande parte das pedras foram utilizadas na construção da Pont de la Concorde. Actualmente, pode-se encontrar uma espaçosa praça, com a Coluna de Julho (monumento à Revolução de 1830) no centro, e, lateralmente, a Ópera-Bastille, “irmã” do Palais Garnier. O edifício moderno é magnífico e dizem que a sala de espectáculos é 5 estrelas… tenho que ir ver com os meus próprios olhos!
De seguida, meti-me pela Rue St. Antoine até à animada Rue de Rivoli, onde encontrei a imponente Église Saint-Paul-Saint-Louis (a primeira igreja jesuíta erguida em Paris) e, nela, um Delacroix escondido (Le Christ en agonie au jardin des oliviers). Depois de ter dado um saltinho à Maison Européene de la Photographie (gratuita às 4ªs feiras das 17 às 20h… boa! Já tenho programa para “mercredi”, aproveitando que saio mais cedo!) e de ter passado “de raspão” pelo Mémorial de la Shoah, acabei o “tour” na Église de Saint-Gervais-Saint-Protais, ideal para um último momento de recolhimento.

Um fim-de-semana à maneira, sem dúvida!! Mas agora quem é que me vem fazer uma grande massagem?? Epá, é que estou mesmo que nem posso!
Musique du jour: Revoir Paris (Charles Trenet, arr. guitarra R. Dyens)

La Foule [Samedi]

E mais um fim-de-semana! Obviamente, sendo sábado, há que aproveitar para ficar durante mais um pouco na cama a aquecer os lençóis!
Como tinha ficado combinado, eu, a Annika, a Tatiana e o Remy encontrámo-nos em casa da Allison (que fica pertinho de Saint Germain-des-Prés) para preparar a oração e ensaiar um pouco os cânticos. E devo dizer que até nem correu nada mal! Ainda cantámos, no final, o “Cantarei ao Senhor” (claro, com uma pronúncia francesa terrível… parecida com a minha quando tento cantar em polaco!). Depois da oração, acabámos por ficar na conversa quase durante uma hora!
Lá voltei para a CitéU, e a tarde passou depressa, entre arrumações e leitura.
Noite: Nuit Blanche em Paris! É verdadeiramente indescritível, só estando cá! Reuniu-se o grupo da noite anterior, com novos reforços (Mélanie e Nicolle). Milhões pessoas na rua, museus abertos, espectáculos espalhados por tudo quanto era canto, enfim, uma absoluta loucura! Percorremos o coração de Paris de lés-a-lés "levados pela multidão", com direito a acabar com um belo piquenique (improvisado!) ao luar à beira do Sena, com banda sonora jazz!
(Afinal, a música com a qual acordei - There is a light that never goes out dos The Smiths - foi muito apropriada!)

Un café désert, sans les cafés les gares [vendredi]


E pronto, sou oficialmente “externe” no hospital, com direito a bata e a plaquinha! A coisa não começou muito bem… o hospital é enorme e o serviço de neurocirurgia está muito bem escondido. E também ele é enorme (talvez com tantas camas como os serviços de Medicina III, IV e Orto do São Francisco), o que deu direito a carimbo de “perdida”, mas lá consegui chegar a tempo e fazer compreender ao Professor que eu era a “Mademoiselle De Oliveira” e que me podia tratar por Maria, ou melhor, “Máriá” (sim, aqui sou conhecida assim! La vita è difficile!).
Digamos que a primeira hora não correu muito bem (que saudades da minha mega super turma!) e que a simpatia não prima entre os estudantes de medicina aqui por estas bandas, mas lá ficou melhor. Depois da ronda por todos os doentes e revisão das fichas, das 11h às 13h estive na reunião de “staff” para a discussão dos casos mais complicados. O serviço tem patologias muito diversas, desde traumatismos cranianos, hérnias discais, (milhões!), seringomielias, AVCs e síndromes de Von-Hippel Lindau, a aneurismas e hemorragias cerebrais, malformações de Arnold-Chiari e tumores cerebrais (todos os tipos que possam imaginar); ou seja, o que não falta é variedade! Por enquanto, estou dispensada de bancos, talvez comece em Novembro. E ainda bem! Porque aqui são os “externe” que recebem sozinhos os telefonemas relativamente aos doentes que estão a caminho, que os recebem na urgência, fazem história clínica e exame objectivo e só depois de terem toda a informação é que telefonam ao interno para ele decidir o que fazer. Epá, eu até gosto de desafios, mas isto é muito responsabilidade! On verra…
Enfim, sobrevivi e para a semana há mais! Obviamente, a tarde foi passada a rever síndromes piramidais e extrapiramidais e mais umas coisinhas de neuroanatomia!


E que tal ir ao teatro?? É absolutamente obrigatório ou não fosse estar na cidade do Molière e de outros que tais! O ponto de encontro foi o Pompidou, debaixo de uma chuva interminável, numa noite muito escura; E o grupo de ataque: eu, a Annika, a Fanny, o Davi, a recém chegada Katharina e mais um rapaz com um nome super complicado, que nem me atrevo a tentar escrever!
O teatro não era muito longe, no Café de la Gare, situado numa praceta super mas super simpática em pleno Marais, rodeada por pequenos edifícios, por entre as janelas dos quais se podiam ver bailarinos a ter aulas de dança. Era só escolher: no 1º andar de um dos edifícios, havia salsa, no rés-do-chão do outro era flamenco, noutro dançava-se step! Tudo isto numa mistura de música que dava mesmo vontade de dar um pezinho de dança! Aproveitando um desconto, a peça escolhida foi: “Cyrano m’était conté” (uma comédia) e devo dizer que, apesar de ter percebido para aí 40%, adorei – o espaço, a interpretação, a articulação das cenas, o texto (o que percebi)!

On a bien rigolé!