Sunday, November 28, 2010

Évry - 20 Novembre 2010


(já muito atrasada!)
A propósito do fim de semana passado...


Depois de uma semana de trabalho intenso (que teve direito à "Messe des Étudiants" - Super!!), nada melhor do que ir "apanhar um pouco de ar fresco" e sair de Paris! Sim, porque isto de ser a única pessoa no serviço que fala inglês dá direito a ver tudo o que é doentes "estrangeiros"... vindos do Mali, Irão, Polónia... enfim, uma festa. O pior é quando nem inglês falam bem - o caso de um dos iranianos... enfim, como diria a minha irmã mais nova "Keep calm and fake a British accent" (embora naquele caso nem british, nem français, nem coisíssima nenhuma! Pronto, talvez árabe já "marchasse" mas disso eu é que "non capisco"...). A verdade é que lá nos íamos entendendo com a ajuda de um livrinho que o senhor tinha e, no último dia de internamento, ainda lhe dei uns conselhos sobre os melhores perfumes franceses para ele levar para a "misses" dele (como costumava dizer). Uma risota!

Bem, deixando de divagações, como dizia, no sábado fui até Évry. E soube tão bem! Pus a minha mochila às costas com o meu saco-de-cama (que veio a ser muito útil!) e lá fui em direcção à dita cidade, aproveitando o sol espectacular que "o" S.Pedro oferecia! O plano inicial era encontrar-me com o Guillaume e a Annika em Évry. No entanto, alguém "resolveu" atirar-se para a linha do RER, o que deu direito a "circulação interrompida por tempo indefinido"! Resumindo e concluindo, eles não conseguiram vir...
Mas é nestas alturas que acontece sempre qualquer coisa inesperada: encontrei o Alexandre do IST (que neste momento está a fazer Erasmus no Polytechnique)! Portanto, acabei por ir com ele e com mais dois amigos dele - o Étienne (francês) e o Dominik (alemão) - a um grupo de partilha sobre "Partir ao encontro do outro". Acabado o grupo, fomos até ao terraço da igreja para o convívio acompanhado de um chá - e como 1 caneca não foi suficiente para aquecer (apesar do sol, estava "milhões" de frio!) - acabámos por tomar para aí umas 3 ou 4 (tenho a impressão que o Dominik chegou a ir encher a caneca uma 5ª ou mesmo 6ª vez!).
Voltando para dentro da catedral, tivémos a partilha final com o Ir. Alois, seguida da oração. Esta última dispensa quaisquer comentários! Saímos da catedral com um grande sorriso e uma grande, grande alegria, ainda com o "Aber du weisst den Weg für mich" nos ouvidos!!!
Dado que tínhamos a barriga "cheia de água", acabámos por terminar a curta estadia em Évry a jantar kebab junto à estação, antes de regressar a Paris!


PS1: A foto do post refere-se à Catedral de Évry (Cathédral de la Résurrection d'Évry) uma construção gigante moderna, cuja forma circular simboliza a perfeição divina e a comunhão de todos os povos, sem exclusão.
PS2: Na passada 6ª feira estava tanto frio, mas tanto frio que nevou!!! Epá a sério! A minha primeira neve "parisiense" ;)
PS3: Para a semana, em "solidaridade" com o feriado português do 1º de Dezembro, parece que aqui os franceses vão voltar a fazer greve! Eu nem comento... mas como sou (quase sempre) do "contra" vou na mesma para o hospital!

Messe des Étudiants!

Aqui ficam algumas fotos da Messe des Étudiants - a "Missa das Universidades" cá do sítio! Teve lugar no dia 16 de Novembro, na Igreja de Notre-Dame e reuniu 3800 estudantes, que encheram o chão da igreja!
Eu estive lá com a Marie-Christine! Foi super-mega!
No final: música e muita animação no jardim ao lado da igreja!!!








































Monday, November 15, 2010

Impressions, Nympheas... e uma vontade enorme de dar un saltinho a Giverny!


Há imenso tempo que andava para ver uma certa exposição... no domingo - à 2ªtentativa - consegui!

Depois de sair da Madeleine, resolvi ir a pé até ao Grand Palais. O caminho já é conhecido, nem precisei de usar o meu mapa (se bem que, do uso, ele tem um buraco tão grande nesta área de Paris, que duvido que servisse de alguma coisa...): Rue Royale, com as suas Gucci, Ralph Lauren, Missoni, Dior... e o conhecido Restaurante "Maxim's de Paris", que teve como clientes o rei Edward VII de Inglaterra, Proust, Aristotle Onassis, Maria Callas e Marlène Dietrich. Depois de percorrer esta curta rua, cheguei à Place de la Concorde, com o seu "mega" obelisco, onde cortei à direita, depois de passar em frente ao Hôtel de Crillon - hoje um luxuoso hotel, no século XVIII era o local onde Maria Antonieta tinha as suas aulas de piano (em frente ao local onde seria "guilhotinada" em 1793 - vida irónica, hein?!). E nada como passear um pouco nos Champs Élysees; os passeios estão cheios de "milhões" de folhas amareladas, à espera que alguém meio-infantil (tipo eu!) as pise!

Enfim, depois de momentos de diversão e, acabada a "crise de regressão de idade", atingi o meu objectivo: o Grand Palais, construído em 1900 a propósito da Grande Exposição Universal. Esta belíssima obra arquitectónica em estilo Beaux-Arts com fachadas de pedra e tecto em metal e vidro alberga hoje as Galeries Nationales du Grand Palais e o Palais de la Découverte (visitado a semana passada e a ser revisitado brevemente).

A exposição que pretendia ver era de Monet ( maior retrospectiva dos seus trabalhos desde 1980)... e devo dizer que valeu a pena as duas horas que estive na fila à chuva! Para proveitar ao máximo, preparei em casa uma banda sonora para me acompanhar na visita e os escolhidos foram: Ravel, Debussy e Satie (compositores impressionistas para um pintor impressionista - apropriado!); no meio de músicas como "Pavane Pour Une Infante Défunte","Une Barque sur l'Ocean", "Gymnopedie", "Clair de Lune - Suite Bergamasque", "Les sons et les parfums tournent dans l'air du soir" e "Reflets dans l'eau" pude admirar mais de 170 obras de arte vindas de museus de todo o mundo (Orsay, Marmottan-Monet, Metropolitan de Nova Iorque, Pushkin de Moscovo, Hermitage de S.Petersburg, National Gallery de Londres, National Gallery of Art de Washington, Orangerie, Art Institut de Chigago, Neue Pinakothek de Munique, etc...), bem como de coleccionadores privados (uns sortudos...).
Cor, movimento, luz, impressão... Completamente indescritível! A sério, mesmo!
(fica o site super bem concebido para "abrir o apetite": http://www.monet2010.com/)


Com isto tudo, acabei por me atrasar para ir até St Eustache e, como "mais vale um pássaro na mão do que dois a voar" (e eu que nem gosto de muito provérbios!) regressei antes à Madeleine, a mais um "Domingo Musical", desta vez com Angela Kraft Cross no órgão, com obras do magnífico Duruflé e do incontornável Messian, entre outros.
Vraiment super!

Thursday, November 11, 2010

Coquelicot


Hoje em França é feriado: celebra-se o chamado "Dia do Armistício" (em inglês - Remembrance Day), no quando se comemora a assinatura do armistício que pôs fim à I Guerra Mundial, em 1918, mais propriamente às "11h do dia 11 do mês 11"... além disso, 11 de Novembro é o dia de S. Martinho de Tours, um dos patronos de França e o patrono dos soldados.
Em Portugal, ensinam-nos (desde o jardim de infância) alguns provérbios e ditos populares a propósito deste dia: "No dia de S. Martinho, vai à adega e prova o vinho" ou "No S. Martinho, lume, castanhas e vinho".
Como não tinha vinho para provar nem castanhas para assar nem o sol do "verão" daquele santo (ele só é generoso para os lados de Portugal; aqui, se se lembram, é o St. Denis que trata desses assuntos), resolvi ir passear para um local abrigadinho e quentinho...
Cité des Sciences et de l'Industrie, mais conhecida por La Villette!
Situado no XIX arrondissement (ou seja, do outro lado de Paris), este espectacular mega museu interactivo da ciência é imperdível. Já o tinha visitado com a minha família há uns bons anos, e lembro-me de ter ficado fascinada, principalmente com uma exposição sobre química (a física não fazia muito "o meu género"!).
Hoje, resolvi desafiar os meus gostos, e continuar a aventurar-me pelo mundo das físicas (e não só!). Visitei algumas exposições (não todas - como tenho o passe de um ano, posso cá voltar as vezes que quiser sem pagar!): o som e a música; a luz, a perspectiva e a óptica (super interessante e deu-me imenso jeito, já que agora ando entretida a estudar Oftalmologia); a matemática (probabilidades, fractais, modelos); a genética e a bioética; o design.
Ainda fui ver uma exposição temporária sobre "comer bem" (Bon Appétit) - embora fosse dirigida para crianças, adorei, adorei, adorei! Muitíssimo bem explicado, com actividades simples mas ilustradoras das temáticas, só não sai de lá a "saber comer bem" quem não quiser! Foi mesmo bom voltar a ser criança por meia hora!
Fiquei na Cité até por volta das 15h; depois lá tive que voltar para casa e aplicar o que tinha aprendido no estudo das patologias oculares refractivas, do estrabismo e da diplopia...
...E não é que agora o cérebro processou muito mais rapidamente a matéria???
PS: Já tenho bilhete de comboio para Roterdão!

A propósito do passado fim de semana...

Sábado traz o seu ritual...
Depois de acordar um pouco mais tarde e de ter dado uma corridinha até ao Parc Montsouris (cuidado! existem patos estranhos à solta!), lá pus a guitarra às costas e fui até "chez Alison" para um ensaio. Pela primeira vez, começámos a oração - em Saint Germain des Près - a horas! E foi a primeira vez que toquei. Correu muito bem; poder cantar e ouvir a minha "guitarrinha" (com cordas novas!) a ressoar nas paredes de pedra daquela igreja tão antiga foi "ligeiramente" emocionante. Obviamente que este fim de semana (e enquanto estiver aqui por Paris) volto a pôr os dedos "ao serviço"!
Depois da oração, ficámos para um momento de convívio, aproveitando para "fazer planos" para os próximos fins de semana.

Domingo começou com "a minha" missa na Madeleine; desta vez, fui eu a "seleccionada" para ler a oração dos fiéis (em português!).
Da parte da tarde, tinha pensado em ir ver uma "mega exposição" no Grand Palais sobre Monet; no entanto, a chuva e as 2h30 de espera para entrar fizeram-me optar antes pelo Palais de la Découverte. Este museu (uma espécie de "irmão" de La Villette e "primo" do Deutsches Museum de Munique) foi criado nos anos 40 do século passado pelo Nobel da Física. Depois de passar por um hall espectacularmente gigante e grandioso, aventurei-me pelas exposições de electromagnetismo, electrostáctica, fluidos, sons e óptica/laser. A-d-o-r-e-i - com todas as letras!!!! Para além das imensas experiências, pude assistir a alguns "seminários", nos quais "os mistérios" das físicas eram desvendados de forma simples e acessível. Praticamente só andei pela parte da física (pronto, não resisti e dei um "pulinho" à exposição "La biologie au service de l'Homme"); a "Chimie", a "Astronomie", as "Geosciences" e as "Mathématiques" ficam para explorar noutros domingos - como tenho o super passe "Universcience" não pago durante um ano!
Nota do museu: 22/20 (a sério, é um máximo!)
E nada como acabar o dia em St. Eustache, a ouvir o maior órgão de França (supera mesmo o de Notre-Dame e o de St. Sulpice) a "tocar" Bach e Rimski-Korsakov. No próximo domingo, por ocasião dos 80 anos(!) do organista titular de St. Eustache (Jean Guillou), adivinha-se um grande concerto... lá estarei!

Thursday, November 4, 2010

"Un dia de Noviembre"


Chegam os dias... os dias escuros que vão cada vez ficando mais pequenos, que dão lugar à noite. Os dias do frio, da chuva, do vento cortante e gélido. A terra parece entrar num estado de "hibernização" iminente, preparando-se para adormecer... quem sabe para armazenar toda aquela energia que liberta nos longos dias de Verão.
Há quem diga que estes dias são tristes; serão?
Na verdade, Novembro está "arrumado" num espaço complicado... para trás ficam os dias de típicos de outono, nos quais o calor ainda se mistura com o quente, o ar está pintado com o cheiro a castanhas e as árvores estão enfeitadas com romãs, nozes e diospiros. Há (quase) sempre aquela esperança - mesmo que inconsciente - que Novembro passe depressa e que "o" Dezembro das festas chegue, numa tentativa de acabar o ano de forma antecipada.
Mas é neste mês que vamos buscar as camisolas quentinhas com golas gigantes, o cachecol feito pela avó, as luvas tricotadas pela tia...
É em Novembro que calçamos umas galochas e saltamos nas poças de água que mais parecem lagos... que damos passeios pela floresta e sentimos o cheiro da terra molhada a perfumar os nossos ossos...
É em Novembro que as azeitonas começam a escurecer e a preparar-se para finalmente amadurecer e assim, já sob a forma de um líquido leve, iluminar o escuro e "regar" pratos que aquecem as entranhas...
É em Novembro que o sol lá do alto se torna tímido, encondendo-se teimosamente atrás daquelas nuvens de aspecto cinzento e carregado...
É em Novembro que passeamos por entre árvores meias despidas com os ramos a tremer... caminhados sobre um tapete de de cores e nos deliciamos a "pontapear" os montinhos de folhas empilhados aqui e ali...
É em Novembro que nos sentamos à lareira a ler um bom livro... que nos sentamos debaixo de um alpendre com uma manta quente sobre as pernas e um chá quente ou um glühwein na mão, a ouvir uma "orquestra" de pingos de chuva a bater nas telhas e a (es)correr pelas caleiras...
É em Novembro que cresce em nós o desejo se sermos mais perfeitos, mais santos... e se faz memóra dos que já partiram - aqueles que nos eram tão queridos - com esperança de nos reencontrarmos no "início" que vem depois do "fim"...
É em Novembro que, em alguns países (incluindo França) se recordam os "sacrifícios humanos" resultantes das guerras (em particular da I Guerra Mundial) e se celebra, com uma papoila na lapela, a assinatura do Armistício...
É em Novembro que, do outro lado do oceano, se reúnem famílias para dar graças a Deus...
É em Novembro que começamos a preparar o coração para acolher o desafio do Advento que se adivinha já tão próximo...
É em Novembro que começamos a sonhar com o próximo Verão, com os dias em que vamos cantar uma simples canção na praia, com o mar como pano de fundo e o sol como holofote daquele grande palco que é o areal.

E aqui fica este belíssimo vídeo, de uma simplicidade extraordinária http://www.youtube.com/watch?hl=en&v=uLwrjQkytfc&NR=1&gl=US
[gosto especialmente do momento em que a Teresa "comenta" as notas apressadas o Pedro A. Magalhães - 1:41]

Tuesday, November 2, 2010

La bonne franquette - parte II


E nada como acordar cedinho e dar um salto à Concorde...


Para, daí, começar a subir as Tuileries até... ao Louvre, pois está claro! (neste momento a pensar na táctica a usar para fintar turistas chineses nas próximas horas...)


Ao pé de Notre-Dame, com um novo elemento, a Jena!




No cimo das Torres de Notre-Dame, depois de termos subido centenas de degraus... boa notícia!!! depois da "prova", nenhum de nós tem, certamente, angor de esforço nem insuficiência cardíaca! (PS: olha a torre Eiffel lá ao fundo!)

E como não podia deixar de aparecer, o Duarte no Pompidou a ver se realmente existem formigas ou outros bichos microscópicos a povoar o quadro do Kandinsky!


Montmartre, depois de termos visitado o Sacré-Coeur e dado um saltinho à Place du Tetre!
PS1: Devo dizer que fizémos batota e subimos de elevador!
PS2: Os rapazes estão sorridentes porque cada um se deliciou com um crepe... as meninas resolveram continuar a trabalhar para a linha :P

La bonne franquette - parte I

Nova fim-de-semana, nova visita portuguesa. Desta vez, não 1, não 2, mas sim 3 (não fosse essa a conta que Deus fez)! E como "uma imagem vale mais que mil palavras", aqui ficam alguns souvenirs do fim-de-semana prolongado (só mesmo uma micro-amostra das 800 e tal fotos tiradas, e estou claramente a arredondar por baixo!)...

O quarteto de ataque no cimo do Arco do Triunfo, localizado na Étoile/Charles de Gaulle, onde pudémos "re-confirmar" que os franceses são completamente doidos a conduzir...




...e não é só a conduzir, pelos vistos também sabem estacionar "muito bem" (e não, não fui eu que estacionei este carrinho, embora, dadas as circunstâncias, possa surgir essa dúvida)

A foto da praxe ao lado do Musée Chaillot com a Eiffelzinha ao fundo.

No cimo da Torre Eiffel (notam as pernas do Pedro a tremer???), com dois reforços também portugueses! Ah! Podem pensar que, estando uma foto tão bem tirada e faltando lá eu, se calhar até foi obra minha... Não! Sei que isto soa mal, ou melhor estranho(!), mas fiquei cá em baixo a segurar a garrafa de vinho "dos Velhotes"!



A Torre pisca ou sou eu que estou com alucinações visuais??



No barquinho a 1000 à hora (como se comprova pelas margens que rapidamente parecem ficar para trás).


No barquinho - parte II (com um mega frio que nem imaginam! é talvez por causa disso que o Rui está tão sério e eu com cara de parva)


Os meninos nos Champs Elysées!