Friday, December 24, 2010

"E o Verbo fez-se carne e habitou entre nós" (Jo 1, 14)

Monday, December 20, 2010

Countdown!

Bem, parece que este blog está a seguir a tendência da dona para hibernar...mas ainda não é desta!
A poucos dias de dizer "au revoir" (temporário!) à Cidade das Luzes (depois de 3 meses non-stop aqui por terras francesas) e de ir passar o Natal noutro local não menos "exótico" (e não menos frio! - Munchen, Ingolstadt) aqui fica um relato do mais recente museu visitado: Musée de la Musique.
Este museu fica situado na Cité de la Musique, no quartier de la Vilette... Um espaço amplo, onde também fica situado o Conservatoire National Supérieur de Musique et de Danse de Paris. É espectacular ver, tanta gente com instrumentos às costas e aos ombros... tudo tem um ar tão... musical! Ou seja, a expectativa era alta...
O Museu - um edifício moderno, grande e branco - apresenta uma colecção permanente de instrumentos de música clássica e alguns instrumentos populares, do século XVII aos nossos dias; desde violinos, vihuelas, clavicórdios, espinhetas... Interessante, mas faltou um toque musical! Estava à espera de um passeio pela história da música e ser confrontada com o século XVII assim de repente deixou-me um pouco atordoada. Não me julguem mal, eu gosto do séc.XVII! É o século de Shakespeare, da colonização americana, da invenção do telescópio, da Guerra dos 30 Anos, da publicação do Discurso sobre o Método de Descartes, da independência de Portugal (!), de Luís XIV e do seu Palácio de Versalhes, da Lei da Gravidade de Newton, do motor a vapor... e tantos outros! Mas a música existe desde que o homem existe, desde a Antiguidade!!
O dia foi "salvo" pelos "Concertos Promenade", como é costume no 2ª domingo de cada mês. São concertos interpretados por alunos do conservatório de Paris e devo dizer que foi cinco estrelas, bastante bom mesmo! Em Dezembro, o tema era as grandes "Heroínas Míticas", com extractos de óperas, cantatas e oratórios.
Acabámos - eu, a Annika e o Karl - por ir ver, no espaço do século XVII, o ciclo relativo a Zaïde, em clavicórdio solo, com obras de Couperin, Duphly, entre outros. (Zaïde, a escrava favorita do Sultão Soliman, apaixona-se por Gomatz - também um escravo - e decidem fugir; no então são capturados e, como Zaïde escolhe Gomatz e rejeita o Sultão, acabam por ser ambos condenados à morte).
No espaço do século XVIII, foi a vez de ouvir a sonata "Didone Abbandonata" de Giuseppe Tartina, maravilhosamente interpretada por Niels Coppalle, Emmanuel Resche e Elodie Seyranian. Esta pequena obra fala de Dido, rainha de Cartago, que se apaixona por Eneias que aí procura refúgio depois de fugir de Tróia. No entanto, Eneias acaba por partir, já que tem como destino fundar o império de Roma. Dido, consumida pela loucura e tristeza, acaba por se suicidar.
Por último, no espaço do século XIX, ouvimos um duo de piano e canto, com obras de Saint-Saens, Berlioz, Richard Strauss, entre outros... Desta vez a heroína foi Ophélie, uma personagem do romance Hamlet (Shakespeare), com o qual partilha um romance platónico. A jovem acaba por enlouquecer após a morte do pai e morre em circunstâncias obscuras...
Nota do museu: 6/10 (com os concertos :8/10)

Depois de "tanta tragédia", acabámos por ir para casa da Annika fazer Weihnachtsplätzchen e Vanillekipferln. Uma delícia! (com muito açúcar e manteiga! nem pareciam feitos por mim!...)
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E para "prepação psicológica", aqui fica algo que todos os alemães conhecem e ouvem no Natal: http://www.youtube.com/watch?v=ucwUHQX-LvU

Wednesday, December 8, 2010

"Une tempête de neige perturbe l'Ile-de-France" [Reuters]


Quem não gosta de um pouquinho de neve no Inverno?? Construir bonecos de neve... batalhas de bolas de neve... fazer ski (embora comigo funcione mais o "sku")...

No sábado passado, de manhã, fui surpreendida por um "bater leve" na janela... Seria chuva, seria vento? Não: vento não era certamente, e a chuva não batia assim... Fui ver: NEVE a sério a cair! Já não era a minha primeira neve parisiense, mas caía tanta, tanta, tal e qual como na Alemanha e na Polónia! 5 estrelas... Foi espectacular poder ver Paris debaixo de um mantinho branco. A Igreja de St Germain com o telhado completamente escondido por debaixo da neve, as árvores salpicadas de branco, os carros a andar devagarinho e a parar nas passadeiras para deixar os peões atravessar (milagre!)...
Pois é, mas o problema é o "depois"... Embora os termómetros estejam quase constantemente nos -1/0ºC (por vezes, de manhã, descem até aos -3ºC!), de vez em quando lá lhes dá para subir até uma temperatura positiva e... é a desgraça! A neve tão "engraçadinha e fofinha" transforma-se numa papa de lama que deixa os sapatos e as calças todas sujas; os carros deixam de "andar a direito" e os transeuntes correm o risco de receber uma "festinha" de um capot. Neve est jolie mais pas toujours...

E, para terminar, deixo aqui uns apontamentos sobre o "dia-a-dia"...

1º Frio e Neve - Neve tem sido "o pão nosso de cada dia" e hoje não foi excepção: foi non-stop, a "bombar" das 11h até às 18h, mas a nevar a sério! Quando saí do hospital, a neve já tinha a altura de um palmo e estava escorregadia, ou seja, eu parecia uma "pata" a andar (ou melhor "marche en steppage" - e não, não tenho nenhum défice L4L5)! Até aqui, nada de especial, o problema é quando os transportes deixam de funcionar (e para os turistas, quando a Torre Eiffel fecha)! É verdade, não são só as intermináveis filas de trânsito e os aeroportos que suspendem os voos (como hoje aconteceu em Roissy), mas os autocarros e linhas de metro também sofrem paragens... Resumindo e concluindo, sem autocarro 125, lá tive de voltar para casa a pé, debaixo de uma neve interminável que se enfiava entre os olhos e os óculos (é uma das chatices de usar "lunettes"!) e de um frio que nem com o gorro, o cachecol, o super casaco, as luvas e os 3(!) pares de meias melhorava (se as minhas irmãs me vissem, diriam que eu parecia a rena Rudolfo - dado o meu nariz vermelhinho - mascarada de cebola - devido às milhentas camadas de roupa que trazia).
Portanto, está praticamente decidido, vou comprar um fato de ski com botas e tudo para ir para o KB :P

2º a Língua continua a ter um não-sei-quê de estranho - epá, a sério! quando os franceses começam a falar depressa e naquele francês cheio de abreviaturas, não percebo nada, mesmo! O rapaz que está comigo no serviço fala tão depressa, mas tão tão depressa e usa tantas mas tantas expressões idiomáticas, que eu de vez em quando acho que ele está a falar russo, ou chinês, ou coisa parecida! É que ainda por cima, parece que já me "contagiaram" com esta coisa das abreviaturas: hoje dei por mim a dizer a uma enfermeira, durante a visita, "à tout" (em vez de "à tout à l'heure")... Será caso para me começar a preocupar?

3º aparências que iludem... - com os meus olhos e cabelos castanhos e 1m60 de altura (que é pouquinho aqui nesta terra de gigantes, embora na Alemanha me sinta mais anã), parece mesmo que não consigo enganar ninguém quanto ao facto de não ser francesa (talvez o meu "accent drôle" - como costumam dizer os doentes, no meio de um sorriso - e o facto de não ter 3Kg de maquilhagem na cara também ajude...). Já me disseram que tenho cara de quase tudo: argentina, mexicana, italiana, tunisiana, marroquina, espanhola... Ou seja, embora não engane quanto ao facto de "não ser francesa", consigo enganar quanto à verdadeira nacionalidade, já que não se lembram de incluir "portuguesa" na lista!

PS: aqui fica um excerto do Le parisien sobre o dia a "tempestade" de hoje. Parece que temos um novo record (mas não é do Guiness!): "18h30. 394 kilomètres de bouchons sont signalés en Ile-de-France, ce qui constitue le record absolu du CRICR. Le précédent record (377 km) datait du 21 octobre 2008" (http://www.leparisien.fr/transports/en-direct-la-neige-paralyse-l-ile-de-france-record-d-embouteillages-08-12-2010-1183114.php). Devo dizer que a Périphérique, pelo que vejo da minha janela, parece uma árvore de natal com luzinhas vermelhas (que não se mexem...)!