Wednesday, September 29, 2010

Montmartre en ce temps-là accrochait ces lilas

Quarta-feira, dia de explorar Montmartre!
Resolvi apanhar um meio de transporte diferente, o autocarro! Apesar de ter demorado quase 50 minutos da Cité atá ao destino, valeu a pena a viagem. Eis alguns dos pontos por onde "re-passei": Place d’Italie, Panthéon, Institut du Monde Arabe, Île St-Louis, Hôtel de Ville, Tour St-Jacques, Louvre, Rue de Montmartre… até Pigalle. Daí, subi até Abbesses. A entrada da estação de metro (desenhada por Guimard) é uma das três originais obras que restam em Paris. A praça em si é muito calminha com a Igreja de Saint-Jean-de-Montmartre, um exemplo de art-nouveau sacra em tijolo. É também nesta praça que se encontra um pequeno jardim, conhecido pelo seu “Mur des je t’aimes”, um muro onde está escrita a frase “Amo-te” em mais de 300 línguas diferentes (foleirinho, eu sei ;) ).
Nada como depois começar a subir a colina (butte) de Montmartre, cujo nome deriva de “le mont du martyre”, já que foi aqui que St. Denis (o patrono da cidade de Paris) foi decapitado. Esta zona é, e foi, muito famosa entre o mundo artístico e boémio (acolheu Picasso,Van Gogh, Pissarro, entre outros), conservando o seu carácter mais pitoresco relativamente à restante Paris, com vários cafés e ateliers.
Fui até à Square Louise Michel, para depois subir as escadarias até à Basílica do Sacré-Coeur (só os fraquinhos é que vão de “funiculaire”! Pronto, e se calhar os insuficientes cardíacos e outros que tais…). A vista lá de cima é 5 estrelas! Por entre o tapete de telhados escuros e pedra clara é possível distinguir aqui e ali alguns monumentos já conhecidos: a Torre de Montparnasse, o Centre Pompidou, Notre-Dame, St-Eustaque, entre outros. Apesar de não ser algo que nos deixa completamente de boca aberta, tem um não sei quê de mágico.
A Basílica em si é um edifício branco muito bonito que se destaca no alto da colina. Em estilo bizantino, lembra a Catedral de St. Teresa em Lisieux ou mesmo uma igreja que já vi algures em França (Périgueux?), tanto por fora com as suas cúpulas, como por dentro com os dourados do tecto. Sem dúvida, a visitar e a ficar durante uns momentos. Mesmo ao lado da basílica, está a Igreja de St.Pierre, uma das mais antigas da cidade, muito simples por dentro, mas é nessa simplicidade que está a sua beleza que parece gerar uma paz interior por tudo quanto é canto.
E seria possível vir a Montmartre sem visitar a Place do Tertre?? Poder podia, mas não era a mesmo a mesma coisa! Esta praça sempre, mas sempre me fascinou. Lembro-me de ser pequena e dos meus pais me falarem que existia uma praça onde muitos artistas se reuniam e faziam retratos das pessoas, uma autêntica “fábrica” de arte concentrada num único espaço. E mesmo depois de já a ter visitado há alguns anos, nunca me saiu da cabeça. Hoje, deu para matar saudades e para “invejar” tanto aqueles mestres do carvão e do pincel que, num gesto, imortalizam pessoas e lugares, ao som de um acórdeão parisiense!
Continuando, fui tentar encontrar a Rue Saint-Vicente, não muito longe dali, onde está uma das vinhas de Paris! É verdade! E pelo que estive a ler, o vinho é famoso pelas propriedades diuréticas (para quê dar furosemida e tiazidas aos doentes? Há que pô-los é a beber um copinho!). Lá diz o ditado: «C'est du vin de Montmartre qui en boit pinte en pisse quarte»…
Lá voltei a descer a bela colina para ir até ao Musée de la Vie Romantique, localizado na antiga morada do pintor Scheffer. Um edifício muito simpático (tipo cottage), branco com portadas azul-esverdeadas e um jardim muito verde em volta. Era neste local que se reuniam inúmeras personalidades marcantes do romantismo: Georges Sand (do qual estão expostos vários objectos), Chopin, Delacroix, Dickens, Turguenev, Gounod,… Uma reconstrução muito fiel da vida dos intelectuais do século XIX, ao som da que me pareceu ser a Polonaise op.53 de Chopin (já está confirmado!). E… com bónus! Uma exposição intitulada “La Russie romantique à l'époque de Gogol et Pouchkine” com obras da galeria Tertyakov (Moscovo). Definitivamente, a cereja em cima do bolo!
De seguida, fui passear um pouco na zona dos “Grands Boulevards”, para me “perder” a admirar a arquitectura “haussmaniana”. Haussman foi encarregue por Napoleão III da modernização urbana da cidade de Paris na 2ª metade do século XIX, um pouco na senda do que havia acontecido com Londres após a Revolução Industrial. Assim, foram criadas longas avenidas, parques e jardins. Para além disso, foram reconvertidas as fachadas dos edifícios de modo a harmonizar o “todo arquitectónico” e a unificar a paisagem. Desta forma, apareceram os típicos edifícios “em bloco”. E como o tempo não estava para brincadeiras, lá me apressei a percorrer: a Haussman, Montmartre, Poissonnière, Bonne Nouvelle, St-Denis (com a sua porta e lá ao fundo a Gare d’Este) e St-Martin, até chegar à Place de la République.
Acabei por ficar por aqui e deixar para outra tarde a zona da Bastille e Marais (parte este). E ainda bem que o fiz! Por razões de segurança o RER A estava fechado (provavelmente outra ameaça de atentado! a coisa não anda famosa!), logo a estação de Les Halles-Châtelet estava uma super-confusão! Resumindo, um “g’anda deboche” (pronto Vero, já usei a super expressão e até a escrevi com cor diferente e a bold!! já tinha saudades de a dizer!)
Vá lá… sempre consegui um espacinho no RER para vir até casa, arrumar o quarto, matar saudades ao telemóvel e computador, cozinhar, jantar e, por fim, deliciar-me com um clássico que só a BBC poderia oferecer – Fawlty Towers – com o brilhantíssimo John Cleese. (aqui vão 3 exemplos destas pérolas: http://www.youtube.com/watch?v=H-oH-TELcLE , http://www.youtube.com/watch?v=yfl6Lu3xQW0&feature=related , http://www.youtube.com/watch?v=s6EaoPMANQM&feature=channel)
Musique du jour: La bohème

Tuesday, September 28, 2010

Une Source...

Com o tempo triste que tem estado nem apetece fazer grande coisa, mas como há ainda alguma burocracia a tratar, há que levantar cedo e "trabalhar" (pelo menos o francês!). Ainda sem grandes novidades relativamente à faculdade, só sei que tenho que me apresentar no serviço às 8h30 em ponto (obviamente tenciono chegar mais cedo não vá perder-me ou coisa parecida!).


Última 3ª feira do mês em Paris... Portanto, noite de oração dos jovens parisienses, que se reúnem assim uma vez por mês numa capela da Igreja de Saint-Germain-de-Prés, onde já fui no sábado. Tinha combinado encontrar-me lá com a Annika mas uma amiga minha aqui da Casa (e da faculdade) acabou por também aparecer! Foi super super bom! Estavam imensos jovens (e também alguns menos jovens) mais do que os que costumam aparecer - isto disse-me um dos organizadores. Dava para sentir as vozes a subir ao céu e aquecer um pouco o coração. Acabar a oração e a adoração à cruz a cantar "In manus tuas Patrem commendo spiritum meum"... enfim, não poderia ter sido melhor!

Para além da Annika, reencontrei a Alison (EUA) e a Tatiana (Canadá) e combinámos ensaiar juntas antes da próxima oração de sábado, a ver se damos um brilhozinho especial ao momento.
Ah! E grande notícia!: http://evry.catholique.fr/Un-apres-midi-comme-a-Taize (brevemente mais pormenores)
PS: Acho que a constipação está praticamente arrumada! Hoje só gastei um lenço de papel!

Monday, September 27, 2010

Si tu peux lire en moi [Dimanche]


Domingo… Primeira paragem da manhã: Palais Garnier, mais conhecido por Ópera, um edifício opulento, não fosse ele construído em estilo neo-barroco. Ainda o hei-de ir visitar por dentro!
Depois de ter descido a Av. De l’Ópera até ao Palais Royal e à Comédie Française, segui pela Rue Saint-Honoré até à Église de la Madeleine, onde tinha planeado ir à missa. Inicialmente, foi mandada construir por Napoleão com o intuito de prestar homenagem ao Grande Exército (Temple de la Gloire de la Grande Armée). No entanto, com edificação do Arco do Triunfo, acabou por ser convertida numa igreja. De estilo neo-clássico, inspirada no templo romano de Nîmes (Maison Carrée) é um imponente edifício, do cima das escadarias do qual se pode avistar a Place de la Concorde.
Tive a sorte de ir à missa das 11h e ser brindada por um autêntico concerto com o órgão principal (no qual tocaram músicos como Saint-Saëns e Fauré) e um coro “a sério”. Foi completamente indescritível, fez-me sentir um grande arrepio e aparecer uma, ou melhor, várias(!) lágrimas no canto do olho! Ainda por cima, após a procissão inicial, o cântico de entrada foi um dos meus preferidos que costumam cantar na Alemanha, portanto, foi mais fácil acompanhar e lembrar o meu papá que faz hoje anos! (extracto: “Rassembés dans ton temple, Seigneur nous t’acclamons. Nous chantons ta puissance et tes nombreux bien-faits. Nos coeurs en ta présence, ô Dieu vivant et vrai, exultent d’allégresse pour louer ta grandeur…). Sentir a música ganhar espaço e corpo naquela igreja dourada, fez-me estar em «casa» com a minha família por uns momentos. Portanto, fica decido onde passarei a vir à missa aos domingos! Definitivamente vale a pena todas aquelas vezes que tenho de trocar de estação de RER e metro!
Depois desta belíssima hora que me encheu o coração, desci a Rue Royale, cheia de lojas da Dior, Gucci, e outras não menos caras e enveredei pelos Champs Élysees. Não sei se tem mesmo tudo o que é preciso, o que sei é que tem à entrada um jardim muito acolhedor onde pude almoçar. E devo dizer que as migalhas que deixei também devem ter deixado os pombos muito contentes!...
Acabei por não descer toda a avenida. Pelo contrário, cortei para uma transversal em direcção ao Grand Palais, construção inspirada no Palácio de Cristal de Londres, numa mistura de clássico-art nouveau. Como tinha que pagar para entrar (mas ainda lá hei-de ir!), resolvi apenas admirá-lo por fora e partir antes à descoberta do Petit Palais, mesmo ao lado. O Petit Palais tem no seu interior o Museu de Belas Artes, com objectos de arte desde a Antiguidade Clássica Grega até ao século XIX. A parte que mais gostei foi a relativa à arte cristã ortodoxa, com ícones gregos e russos nas suas típicas cores vermelhas e douradas. A não perder!
Lá fora o tempo não estava grande coisa e ameaçava começar a chover a qualquer momento. Apesar disso, lá me meti a caminho até ao Palais de Tokyo – Musée d’Art Moderne. Interessante por dentro, mal conservado por fora, valeu a pena visitar para admirar a “Composition à la guitare” de Braque.
E claro, se estamos em Paris, nada como passar pela Torre Eiffel que dispensa quaisquer apresentações! O melhor local para admirá-la é mesmo do cimo do Palais de Chaillot no Trocadéro. Foi na frente do terraço deste palácio que Hitler foi fotografado durante a visita à cidade após a sua ocupação em 1940.
A passagem do Sena através da ponte d’Iéna foi ligeiramente atribulada, uma vez que se instalou uma desavença entre vendedores de lembranças e, como resultado, quase que vi uma Torre Eiffel de metal a bater-me na cabeça. Obviamente, saí dali a correr e sem olhar para trás!
Depois deste incidente “à la Póznan” e como o céu estava escuro, nada melhor que visitar o quentinho de outro museu, o de Quai Branly, que superou todas as minhas expectativas! Tem no seu interior várias obras referentes à cultura e civilizações de África, Ásia, Oceânia e Américas, desde instrumentos musicais, a máscaras, vestes, estaturas, armas… Muitíssimo bem concebido, com indicações claras relativamente ao sentido da visita (coisa que é rara aqui nos museus em Paris), inúmeros vídeos e placas explicativas, é um daqueles museus que vale mesmo mesmo a pena, principalmente se se tem crianças. Os miúdos pareciam adorar, principalmente a parte dos índios!
Passada a tempestade, desci o Champs de Mars acompanhada pelo “Vocalise” de Rachmaninov até chegar à École Militaire. Daí, parti para o meu último destino do dia, o Hôtel des Invalides, um conjunto de edifícios relacionados com a História Militar. O projecto inicial de Luís XIV visava a construção de um hospital para os soldados “inválidos”. Apenas visitei a Église du Dôme, inspirada na Basílica de S. Pedro (Roma). A cúpula, embora não seja de Bramante, não lhe fica nada atrás, com os seus dourados, impossíveis de não identificar de onde quer que se aviste. É neste espaço que se encontra a tomba de Napoleão Bonaparte (inicialmente enterrado em Santa Helena) e alguns membros da sua família, bem como outros heróis militares franceses, entre eles o Marechal Foch (I Guerra Mundial), o Marechal Turenne, C.J. de Lisle (autor da Marseillaise), e Hauteclocque (Marechal Leclerc) e Tassigny (heróis da II Guerra Mundial).
Como as pernas já não davam para muito mais e estava um “mega” frio que não se podia, lá voltei para casa, mesmo a tempo de evitar que “o céu me caísse em cima” e que agravasse a minha "rhûme" (rinofaringite) que teima em não desaparecer!
-----

Il n'y a plus d'après à Saint-Germain-des-Prés [Samedi]

[Monet: Impression, soleil levant]


Nada como um belo fim de semana para descansar… ou talvez não!
Como o plano que tinha preparado na 6ª feira à noite para o sábado era tudo menos curto, o dia começou bem cedinho às 7h30 da manhã!
Depois de sair em Sèvres-Babylone, fui até à Rue du Bac visitar a Chapelle de la Médaille Miraculeuse onde Nossa Senhora apareceu (em 1830) a uma noviça das Filhas da Caridade, Santa Catarina Labouré. Um momento muito especial.
E como estava perto, resolvi dar um saltinho ao Musée Rodin que está instalado no Hôtel Biron, local que foi residência do escultor. Quer no interior do museu, quer nos bonitos jardins que o rodeiam, é possível admirar algumas das obras universalmente conhecidas deste escultor do século XIX/XX, tais como “O Pensador”, “O Beijo” ou “As Portas do Inferno” (baseada na Divina Comédia de Dante), mas também outras menos conhecidas mas não menos interessantes. É ainda possível descobrir uma sala dedicada a Camille Claudel, uma talentosa escultora que foi aluna de Rodin e que o inspirou em alguns dos seus trabalhos, tendo mesmo sido modelo noutros. Apesar de inicialmente ter contado “gastar” 45 minutos neste museu, a verdade é que acabei por ficar mais de uma hora. Foi verdadeiramente interessante, aconselho!
De seguida, andei a passear a pé pelo 7ème arrondissement até me deparar com a Igreja de St-Sulpice, completamente diferente das restantes igrejas parisienses que até então havia visitado. É a segunda maior igreja da cidade (apenas batida por Notre-Dame) e apresenta-se como um majestoso edifício clássico, construído no “espírito” da Contra-Reforma sobre os vestígios de um pequeno santuário romanesco. Foi aqui que o Marquês de Sade e Charles Baudelaire foram baptizados, que Victor Hugo se casou, e, ainda, que Louise Élisabeth de Bourbon e Louise Élisabeth d’Orléans (netas do rei Luís XIV) foram enterradas. A igreja tem um órgão gigantesco que infelizmente não tive a sorte de ouvir mas que se diz ter uma qualidade excepcional; um dos organistas que aqui tocou foi Marcel Dupré. Ainda a assinalar a “Chapelle des Saints Anges” com murais pintados por Delacroix (entre eles, o famoso “Combat avec l’Ange”).
E já que estava numa de Delacroix, resolvi visitar a sua “casa-museu” não muito longe dali. Depois de andar um pouco na Rue de Rennes, encontrei a Rue du Four, que já “conhecia” da música de Guy Béart – Il n’y a plus d’après. Entretanto, encontrei a Boulevard de Saint-Germain com a sua igreja.
O Museu Delacroix fica escondido numa pequenina praça perto de Saint-Germain-des-Près, na última casa onde morou o pintor romântico. É possível admirar não só obras do pintor, mas também algum do seu material de trabalho e pessoal, incluindo o seu atelier. Atrás da casa, existe um pequenino jardim muito simpático. Quem tiver tempo, pode aproveitar e visitar!
Com estas andanças todas já eram mais de 12h; nada como parar na praça ao lado da igreja para almoçar.
A história da antiga beneditina, agora Igreja de Saint-Germain-des-Près, remonta à alta Idade Média (sec. V-VIII), o que faz dela uma das mais antigas de Paris. Vários reis merovíngios e outras personalidades foram aqui enterrados; no entanto, durante a Revolução Francesa, muitos dos túmulos foram destruídos. A igreja é simples por fora, mas por dentro é verdadeiramente… sem palavras. O tecto gótico está pintado de azul com estrelas douradas que lembra o "céu estrelado" da Sainte-Chapelle, e também as capelas deambulatórias são pintadas, bem como as colunas, com motivos florais. Os vitrais azuis da nave tornam o espaço muito acolhedor e vivo.
Foi numa das capelas deste espaço que pude participar numa oração com textos e cânticos de Taizé. Não éramos muitos (o que não estava nada à espera) e a coisa foi muito improvisada. Definitivamente, fez-me sentir imensas saudades de S. Nicolau, mesmo muitas… Durante a oração, dei por mim a ler o salmo em francês e a fazer a 2ª voz e solos com uma rapariga alemã de Frankfurt, muito muito simpática. Já combinámos ir à oração na 3ª feira à noite e treinar juntas os cânticos. Também já prometi aos “organizadores” (que foram super amáveis connosco) que quando tiver a minha guitarra aqui, passarei a tocar na oração! Apesar de tudo, foi muito boa aquela horinha, onde pudemos falar no silêncio a linguagem de Taizé!
A tarde foi calminha. Passeei um pouco junto ao Sena, na Quai Voltaire, cheia de casas de “antiguidades” e bric-à-brac (mas caro!), até chegar ao fantástico Musée d’Orsay.
Este museu magnífico está instalado numa antiga estação de comboios que ligava Paris a Orléans foi construído para a Exposição Universal de 1900. No entanto, mais tarde (por volta de 1939), as suas plataformas revelaram-se pequenas demais para os grandes comboios que circulavam. Hoje, alberga uma impressionante colecção de pinturas, esculturas, mobiliário e até fotografia, sendo de assinalar a colecção impressionista e pós-impressionista, com trabalhos de génios como Van Gogh, Monet, Renoir, Cézanne, Gauguin, Manet, Degas, Sisley, Pissarro, Jean-François Millet, entre tantos outros. Fazendo aqui uma pequenina nota de rodapé, o movimento impressionista (um dos meus favoritos da história d’arte) procura que a obra seja arte em si mesma. A cor, o contraste de luzes, a falta de nitidez de contornos são característicos. No fundo, o artista procurava representar o que via através da cor de da luz, cor essa que muda consoante as condições/luz que rodeiam o objecto (ou seja, não é uma característica intrínseca do mesmo). Durante a visita, vale também a pena prestar atenção à colecção de Art-Nouveau de Guimard e contemporâneos.
O museu em si mesmo é qualquer coisa indefinível: o conjunto de pedra clara-metal-tecto de vidro dá uma ideia de modernidade antiga e uma luminosidade que parece fazer renascer as esculturas que se encontram no corredor principal.
Neste local que não poderia deixar de revisitar, acabei por me perder durante toda a tarde…

Friday, September 24, 2010

Mega molha...

Depois de uma 5ªfeira em estudo intensivo (mesmo!) de francês e de vocabulário médico, nada como uma bela de uma 6ªfeira muito chuvosa (!) para ir tratar de burocracias e papéis...
Tudo começou muito cedo: acordei às 7h para conseguir estar no hospital às 8h. Como depois soube (claro, após horas de espera!) que só poderia ser atendida no GRI da parte da tarde, lá me meti a caminho de Saint-Marcel para fazer o Seguro de Responsabilidade Civil Profissional e de Acidentes (boa! descobri que: "décès accidentel = 8000 euros" e "invalité par accident = 16000 euros" :S). Nada de complicado, excepto o facto de ter de andar até à Gare d'Austerlitz para pagar o seguro nos correios.. que filme para que a senhora me compreendesse! O que valeu foi a linguagem gestual, não me perguntem como!
Bacano! Eram 11h e já tinha feito muita coisa! Então pensei... "E se fosse agora a pé até à CitéU? Não pode ser assim tão longe!". Até era um pouco, mas o passeio foi tão agradável, e deu para abrir o apetite para o almoço. Embora tivesse sido eu a cozinhar, nem estava nada mal! Mas a conversa e a super companhia das pessoas aqui do 4º piso também ajudaram...
Programa da tarde: Faculdade, faculdade, faculdade! E melhor, quando saí de lá estava a chover tanto. Apanhei uma "mega molha"! Quando cheguei, depois de um belo banho, com o cansaço, estendi-me na cama e ainda dormi uma sestinha já tardia :)
Ah! E hoje acordei com esta música na cabeça. A letra é... sem palavras!
Tera beijinho para todos!

Wednesday, September 22, 2010

Museemania!

Tendo em conta que só poderei tratar do resto da papelada e afins a partir de 6ª feira quando resolver as últimas questões na faculdade, há que definitivamente aproveitar todos os momentos para passear! E devo dizer que o que custa é escolher por onde começar!


Depois de uma manhã calminha em arrumações no quarto, nada como rumar em direcção ao centro. E como sou teimosa que nem um burro, resolvi arrumar de vez o assunto "Pompidou".
O Centre Georges Pompidou fica situado no 4ème arrondissement, perto de Les Halles e o Marais, e tem no seu interior, entre outros, o Museu Nacional de Arte Moderna que não é nada mais nada menos que o maior museu de arte moderna na Europa.


Gostei especialmente da exposição dedicada ao período 1905-1945. Comecei pelo Fauvismo (caracterizado pelo uso livre da cor e pelo contraste) e nada como um belo Matisse para começar a visita; no entanto, foi um pintor que não conhecia - Vlamick - que me roubou definitivamente a atenção com o seu "Les arbes rouges". Este pintor, juntamente com Matisse e Derain, constitui um dos expoentes máximos do movimento fauvista.

Seguindo rapidamente pelo Expressionismo, fui ter à sala do Cubismo que, infelizmente estava fechada. Mesmo assim, ainda deu para dar um olhinho em alguns "Braques" (definitivamente um dos melhores pintores cubistas - até me atreveria a dizer mais genial que Picasso... espero que ninguém me bata!)
Nas salas seguintes, encontrei vários quadros do Kandinsky, pintor que sempre admirei pelo facto de todas as suas obras serem marcadas pelo ritmo, cor, linhas curvas, por uma certa musicalidade... Não é por acaso que é dele a frase: "I think I can find something between sight and hearing and I can produce a fugue in colours as Bach has done in music".
Como não podia deixar de ser, dei um saltinho ao Dadaísmo (=absurdo; procura do escândalo; liberdade total) para encontrar a "Fontaine" do Duchamp - um urinol branco. É só imaginação!
Ainda a assinalar o Surrealismo - sem esquecer Miró, Max Ernst e Dali. Tive vontade de trazer uma secretária que estava em exposição na parte da arte italiana (Bureau de Carlo Mollino), mas lembrei-me que tinha deixado a mochila no "guarda-mochilas" (neste momento estou com amnésia parcial e não me lembro do raio do nome do sítio!)
Nota do Pompidou: 9/10 (pas mal!)


...E como já eram 4h30 da tarde, há que se pôr a caminho porque ainda há muito para ver! Passei pela simpática Église de St. Merry num gótico do século XVI. Fiquei a saber que tem o sino mais antigo de Paris, que data de 1331 e que sobreviveu à Revolução Francesa!

Depois de andar um pouco pela Rue du Rivoli, fui brindada por um pseudo-concerto de órgão em Saint-Germain l'Auxerrois, uma pequena igreja que fica em frente (ou atrás, depende!) do belo Louvre!

Nada como passear, com o Sena de um lado e o Louvre do outro! O problema era mesmo os carros: é que são tantos tantos que parece que nascem do chão ou que caem do ar... Mas nada disso pôde impedir-me de apreciar a outra margem (sul?), com o Institut de France, o belíssimo Musée d'Orsay (paragem obrigatória no próximo sábado!) e a Assemblée Nationale.

Entretanto, cheguei ao meu destino - a Orangerie que fica no fundo do Jardin des Tuileries e que dá para a Place de la Concorde (que no centro tem um obelisco gigante, que foi dado pelo governo egípcio ao governo francês; originalmente marcava a entrada no Templo de Luxor; foi nesta praça que a guilhotina se fartou de trabalhar na Revolução Francesa!). É do lado oposto à Orangerie que começam... os Champs Élysées, où "il y a tout ce que vous voulez"!

Quanto à Orangerie em si, é um museu super simpático, com uma colecção sobretudo impressionista (o que é excelente para abrir o apetite para a "revisitação" d'Orsay!): Cézanne, Renoir, Gauguin, Mondigliani, Derain, Utrillo e ainda uns Picassos e Matisses meios "disfarçados". Ah! E não esquecer as duas salas ovais com 8 pinturas dos nenúfares (Nymphéas) do genial Monet - a música ambiente e a temática ajudavam a entrar num estado completamente zen!
A não perder mesmo!! Nota: 8,5/10


E como já é da praxe, acabei o passeio sentada à beira de uma fonte no Jardin des Tuileries, a aproveitar o céu azul com um sol lindo, com o livro do Clarke...


Paris c'est super! (pelo menos, até começar o trabalho a sério ;) - oh mon Dieu! Para a semana já começa a neurocirurgia!)


PS: Com estas andanças todas já ganhei jackpot: 4 bolhas nos pés... pas bon!

Tuesday, September 21, 2010

Até se dorme bem em Paris! (part 2)




Já que o dia está espectacularmente espectacular, com um sol de fazer inveja a qualquer Alemanha (“né” Tita e Papi?) e quase a até me atrevia a dizer a Portugal, e aproveitando o facto de ter de tratar do cartão Navigo (o passe cá do sítio), bora ir a Paris-Paris?? Só para "abrir o apetite"!



Boulevard Montmartre (C. Pissaro)



A Cité Universitaire tem mesmo à porta o RER B, o que é perfeito para ir até ao centro de Paris. O meu destino foi Châtelet-Les Halles que, extraordinariamente tem uma Fnac, o que me permitiu ir ver se encontrava o meu próximo livro a ler, uma super recomendação: “A Year in the Merde” (não se escandalizem com o título, vá! é um livro sobre um inglês que vai trabalhar em Paris durante um ano, com uma pitada de ironia e crítica sobre os franceses…); o único senão é que, quando andava pela Fnac com o livro debaixo do braço, lançavam-me uns olhares que, se matassem, não estava aqui a escrever…
Aproveitando estar em Les Halles, pensei em dar um saltinho ao Centre Georges Pompidou e assim começar a devorar museus… infelizmente hoje, como era 3ª feira estava fechado! Que sorte, hein? Pas de problème! Deu para
estar sentada a descansar na praça em frente ao museu a delinear com o mapa o percurso da tarde e comer a sandocha que levei para o lanche. E ainda havia um bacano a tocar guitarra e a cantar. Só era pena cantar tão mal e tocar ainda pior! Como não podia deixar de ser, visitei a Fonte de Stravinsky (Fontaine des automates), em homenagem ao compositor Igor Stravinky (um dos meus favoritos, não fosse ele ser russo!)
Enfim, enveredei pela rua Rambuteau que desenha a fronteira entre o 3ème e o 4ème arrondissement, e depois cortei na St. Denis, onde, para além de quase ter sido atropelada por bicicletas assassinas para aí umas 10 vezes, encontrei a Igreja de St.Leu e de St. Gilles, uma igreja gótica muito simpática onde estive um bocado. O que gosto no gótico (e que nesta igreja não me desiludiu) é a forma como nos leva mais alto – graças à sua verticalidade, fruto dos arcos quebrados/ogivais, a luz que falta aos edifícios românicos e que parece mesmo aquecer o coração. Foi também aqui que fiquei a conhecer um santo: St. Benôit Labre, que não escreveu livros nem tratados espirituais e era um homem
de poucas palavras; era um viajante sem bagagem, que partia de manhã sem saber onde passaria a noite, nem quando tempo duraria a viagem. Dizia que o essencial é pormo-nos a caminho, sem bagagens inúteis, numa peregrinação interior que nos leva até Deus, tendo como guia sempre Jesus Cristo. Não sei porquê, mas as palavras que li (se não me engano, qualquer coisa como: “Suivre le guide; Partager le peu qu’on a; Ne jamais se décourager; Ne jamais s’installer”) tocaram-me…
Seguindo pela Rue Étienne Marcel (que termina na Place des Victoires – consagrada às victórias de Luís XIV) e depois pela simpática Rue de Montmartre, voltei a Les Halles para encontrar a belíssima Église de Saint Eustaque, de um gótico gigantesco e fachada gótica-neoclássica, que cumpre a sua missão de elevar qualquer um até ao céu. Uma daquelas jóias de Paris que quem não está atento deixa escapar; tem umas capelas deambulatórias lindíssimas, todas pintadas; a não perder a capela do Santíssimo Sacramento, não só para um momentinho de recolhimento, mas também para se deixar deslumbrar pela beleza das pinturas.
Continuando o passeio e, depois de passar pela Tour de Saint Jacques, pude chegar à Pont Notre Dame sobre o Sena e admirar a Île de la Cité, com o seu Hôtel-Dieu (que, não, não é um hotel mas sim o hospital mais antigo de Paris onde estiveram médicos/cirurgiões como Bichat, Dupuytren e Trousseau - epá! já ouvi estes nomes em algum lugar...) e a Conciergerie. Ao fundo, podia adivinhar-se a Torre da Saint-Chapelle (definitivamente a revisitar noutro dia). E depois de passar pelo Palais de Justice,
fui visitar Notre-Dâme, claro! Tive a sorte de chegar mesmo a tempo das vésperas e de ouvir o órgão da igreja tocar! Ligeiramente arrepiante! Quanto a Notre-Dâme em si, devo confessar que não teve o mesmo brilho que teve para mim há uns anos; não sei, depois de visitar outras igrejas como a Catedral de Reims, a Catedral de Chartres, ou a de Bourges (e isto só para falar de algumas igrejas francesas, já nem falo de italianas ou mesmo alemãs!), não me tocou verdadeiramente… Uma notinha para a Pièta com a Cruz que está atrás do altar-mor – essa sim, com a iluminação que tinham colocado, estava absolutamente divinal! Ah! Nota também para os contrafortes e arcos botantes no exterior da igreja, que desenham uma espécie de esqueleto que equilibra toda a construção.
De seguida, perdi-me na simpática e animada Rue da la Huchette e arredores, com “milhões” de restaurantes, principalmente gregos, até que cheguei ao Boulevard Saint-Michel, a fervilhar de vida… e de carros (definitivamente não sei se vou alguma vez conseguir andar de bicicleta aqui em Paris, é que tenho mesmo medo dos condutores…. Estes automobilistas ainda conduzem pior que eu, pá!)! A hora de ponta por aqui é mesmo um caos! Bem, é só relembrar o Joe Dassin na música "La Complainte De L'heure De Pointe"! O Boulevard de Saint-Germain que cruza o de Saint-Michel fica para explorar no sábado, aproveitando que vou à oração a St. German des Près.
Ainda passei pela Sorbonne, antes de ir até ao Jardin du Luxembourg, onde estive a ler um bocado do meu mega novo livro e apanhar um super solzinho, acompanhada por uma bela de uma banda sonora… Diana Krall; entre outros como o seu Just The Way You Are, com direito ao cimo da torre Eiffel a compor a paisagem lá ao fundo.

Bela forma de acabar o dia :)

PS1: Bolas! Só hoje reparei que me esqueci da máquina fotográfica!
PS2: Os pombos são mesmo chatos, mas pior!, há corvos GIGANTES!

Até se dorme bem em Paris! (part 1)

Nada como uma bela noite de descanso para recuperar as forças depois da canseira de ontem e para meditar (ou "me deitar"?) sobre as saudades que ontem teimavam em não desaparecer… mas se soubesse o que ia ser a manhã, tinha ficado mais meia hora na “ronha”!
Depois de um pequeno-almoço mega rápido, lá parti à descoberta do Hospital Krêmlin-Bicêtre. A coisa prometia ser fácil porque tirei as direcções do Google maps; o problema é que me enganei logo na primeira rotunda. Como não encontrei a plaquinha a dizer “Rue Val de Marne” lá resolvi inventar e, resumindo, dei uma volta maior. Mas, boas notícias: o hospital é perto! Dá para fazer na boa a pé (cerca de 20-25 minutos), só quando estiver a chover é que é mais chato, mas logo se vê!
Hoje tive a visita ao médico da faculdade para ver se estou “apta”, ou seja, para verificar vacinas, doenças que já tive, supostos comportamentos de risco etc… No meio da trapalhada da “entrevista médica” (vá lá, até percebi praticamente tudo o que a médica disse, só troquei a “papeira” [oreillons] com “sarampo” [rougeole]) ainda fiz uma prova de Mantoux; agora a chatice é que a médica só me dá os papéis de aprovação quando ler a prova na próxima 6ª feira, o que me atrasa o processo de inscrição na faculdade. C’est dommage!
Enfim, depois da manhã toda nisto (com esperas e tudo mais), ainda deu tempo para conhecer o caminho até ao Auchan mais perto e comprar coisas tipo: prato, bacia, detergente de loiça, e mais do género. O pior foi voltar para casa… Resolvi armar-me em esperta e carregar a mochila e o saco gigante das compras e vir até à Maison; é que à uma da tarde, carregada que nem um burro e a ver as torres do estádio Charléty (quase em frente à Casa) “milhões de lá ao fundo, a coisa fica mesmo mmuuuoiiiittttoooo complicada e desesperante!
O que vale é que o almoço compensou…