Wednesday, May 11, 2011

Tango...goTan

Ontem resolvi dar descanso à parte 9 do Harrison (para quem não conhece - a bela da cardiologia!). Não é todos os dias que se tem Gotan Project ao vivo e... entrada livre!
E como brinde, agora não me sai da cabeça o "Celos"...

"Recondita armonia..."

De volta às "mini-micro-maratonas" de descoberta de Paris...
O Palais de Chaillot já aqui foi referido; situado no Trocadero, esta grande construção de 2 alas foi erguida em 1937 a propósito da Exposição Universal de Paris. Mais tarde, em 1948, foi palco da adopção da Declaração Universal dos Direitos Humanos pelas Nações Unidas. Com uma "mega" vista para a Torre Eiffel e Champs de Mars, é, sem dúvida, um dos melhores "spots" para tirar umas belas fotos com a Eiffelzinha como pano de fundo.
Actualmente, o Palais de Chaillot acolhe vários museus e ainda um teatro - o Théâtre national de Chaillot. Infelizmente, um desses museus - o Musée de l'Homme (um museu de antropologia)- encontra-se fechado para remodelações - dommage! Mas Chaillot tem muito mais para ver...
É neste local que se encontra a Cité de l'Architecture et du Patrimoine, um grande complexo que alberga o Musée des Monuments Français, herdeiro de um antigo museu criado por Alexandre Lenoir após a revolução de 1789. Com uma gigante colecção de cópias, é possível apreciar de perto (e à escala de 1:1!) grandes fachadas, estátuas, colunas, capiteis (...) de mais de 300 grandes construções francesas, num belíssimo passeio pela arquitectura civil e religiosa francesa do século XII até ao século XVIII. Desde a fachada da catedral de Chartres ao grande arco do "Gros-Horloge" de Rouen, passando pelo "Anjo do Sorriso" da Catedral de Reims (ah!!! e esta é só para a minha querida família: ao fim de anos, eu tinha mesmo razão :P)... é só escolher!
No 2ºandar deste grande complexo, encontra-se a Galerie d'Architecture Moderne et Contemporaine. Nesta, podemos apreciar várias maquetas de monumentos franceses mais recentes, desde 1850 até aos nossos dias.
Por fim, temos ainda a magnífica Galerie des Peitures Murales et des Vitraux! Com cópias de pinturas de capelas e criptas (sobretudo dos períodos românico e gótico), bem como de vitrais de grandes igrejas (Sainte-Chapelle de Paris, Catedral de Poitiers e Catedral de Bourges, entre outras), é impossível não ficar completamente de boca aberta perante tamanha beleza (e são apenas cópias!). Deu vontade de ir "a correr" ver os originais (e muitos até já os vi, mas não devo ter prestado muita atenção!).
Definitivamente, um museu de seis estrelas!

Mesmo ao lado da Cité de l'Architecture et du Patrimoine, encontra-se o Musée Nationale de la Marine. Confesso
que não estava com muita vontade de entrar - barcos não faz muito o meu género, sempre fui habituada desde pequena a preferir aviões (ou seja, coisas parecidas com "pássaros gigantes de metal" - estranho, ah?!). Mas já que não pagava (vantagem de ter menos de 26 anos!), lá decidi arriscar. Gostei bastante de ver ao "vivo e a cores" partes da grande galera la Réale de Louis XVI; o resto - maquetes de navios, pinturas ilustrando grandes batalhas navais, armas e uniformes, bem como instrumentos de navegação - foi visto meio a correr! A visitar por aqueles que apreciam o tema.
Por fim, falo ainda do Musée Nationale du Moyen Âge (Thermes et
Hôtel de Cluny) que também mereceu uma visitinha recentemente. Para vos situar, encontra-se no 5e arrondissement; para quem desce o Boulevard St Michel em direcção à l'Île de la Cité, fica à direita depois de passar pela Sorbonne. Estão a ver onde é? ;)
Este "Hôtel" foi erguido sobre os vestígios de um grande edifício galo-romano (possivelmente um estabelecimento de banhos públicos) do século II-III, edifício este que foi "vítima" dos Bárbaros depois da queda do Império Romano do Ocidente. Por volta de 1330, o abade de Cluny comprou estas ruínas para ali construir um "hôtel" com elementos tipicamente medievais. As salas deste museu ilustram a vida quotidiana e artística da Idade Média - tapeçarias, obras de joalharia,vitrais, esculturas, pinturas,...Uma das grandes "atracções" é uma colecção de 6 tapeçarias - les six tentures de la Dame à la Licorne, que constituem uma alegoria aos cinco sentidos, sendo que a sexta tapeçaria (conhecida por "à mon seul désir") simboliza a renúncia aos prazer desses sentidos.
E o fim de semana acabou em beleza na Ópera Bastille, a assistir à "Tosca", uma ópera em três actos de Puccini. Confesso que a Floria Tosca não me impressionou muito; já o Scarpia, fiquei com "pele de galinha" a ouvi-lo!

Saturday, April 16, 2011

Colina


Mochila feita, e pronta para partir por uma semana...
Santa Páscoa!


E fica aqui o texto de um dos mais belos corais da Paixão segundo S.Mateus (BWV244) de J.S.Bach:
Wenn ich einmal soll scheiden,
So scheide nicht von mir,
Wenn ich den Tod soll leiden,
So tritt du denn herfür!
Wenn mir am allerbängsten
Wird um das Herze sein,
So reiß mich aus den Ängsten
Kraft deiner Angst und Pein!

Friday, April 15, 2011

April in Paris


A Primavera já chegou há umas boas semanas, e com ela um sol espectacular e uns dias de calor que, sinceramente, por vezes questionava-me se não estaria já em Julho ou mesmo Agosto! É definitivamente "April in Paris" (para quem se lembra da música de Vernon Duke (letra de E.Y.Harburg) - de preferência interpretada pela incontornável Ella Fitzegerald e pelo inesquecível Louis Amstrong)!
Et bien, quando o sol brilha no céu, há que aproveitar para explorar... jardins e bosques!
Já há umas boas semanas, fui com uns amigos "picnicar" para Vincennes, na "fronteira" Este de Paris. Este belo parque "à inglesa" cedido à cidade de Paris por Napoleão III em 1860 é um local super agradável para explorar de bicicleta - merci Vélolib!, cheio de caminhos por entre as árvores, pequenos ribeiros. O parque conta com três lagos (Daumesnil, Minimes e Gravelle), "alimentados" pelas águas de la Marne. Foi na pequena ilha do lago Daumesnil que "picnicámos" e passámos uma boa parte da tarde a armazenar energia através de "fotossíntese"! Cinco estrelas! Foi difícil arranjar um spot onde não existissem patos, cisnes, gansos ou outros animais ferozes de penas, bico e garras, mas lá conseguimos.
















É no bosque de Vincennes que se encontra o Parc Floral, um jardim com centenas de diferentes espécies de flores a desabrochar: lírios, crocos, dálias, narcisos, jacintos,... (a voltar dentro de umas semanas, deve estar um espectáculo!) E não são só flores que podemos encontrar, mas também faisões e pavões. Devo dizer que a Annika delirou completamente... eu preferi apreciar de (muito) longe! Pertinho deste parque, é possível visitar Parc Zoologique de Paris, com o seu grande rochedo artificial que se ergue a mais de 65 metros de altura. Obviamente que não teve direito a um "tourzinho" - já tínhamos visto (sobretudo eu já tinha visto!) animais que chegassem por um dia.
E para terminar o dia em beleza, fomos visitar o Château de Vincennes com o seu donjon de 52m de altura -
uma obra-prima da arte militar medieval. Esta fortaleza teve origem num pavilhão de caça mandado construir no século XII e "viu" nascer e casar vários monarcas franceses. No século XVII, Mazarin ordenou a construção de dois pavilhões simétricos, e foi neste local que o rei Louis XIV passou a sua lua de mel; aliás, Vincennes foi uma importante residência Real. No entanto, após a construção de Versailles, acabou por ser abandonado e ser convertido numa prisão (onde estive o filósofo iluminista Diderot - autor da Encyclopédie, Mirabeau - conhecido como l'Orateur du Peuple, e o Marquês de Sade, antes deste ser tranferido para a Bastille). Mais tarde, foi transformado num arsenal do exército, tendo sido palco de vários confrontos - desde a época de Napoleão até à II Grande Guerra Mundial. Para além dos dois pavilhões e do belíssimo Donjon, é possível ainda visitar a Chapelle Royale, uma igreja de estilo gótico flamboiante com gigantescos vitrais que foi construir por Charles V para receber a relíquia da Cora de Espinhos enquanto a Sainte-Chapelle de Paris era edificada.
Definitivamente, o spot perfeito para um dia super agradável!

Sunday, March 13, 2011

Paris, on t'aime! - Dia 5

Como não podia faltar, excursão matinal ao Louvre com o seu Jardin des Tuilleries; almoço "alancharado" na rue de Mouffetard - um belo crepe! e, para terminar, um belo passeio pela Av. de l'Ópera (tínhamos de passar em frente à loja Pierre Hermé - sim os macarrons perseguiram-nos!), Galerias Laffayete e Saint-Lazare.

E como não cheguei a passar para o computador as fotografias do último dia, ficam estas duas da nossa sessão no Musée de la Vie Romantique (dia 4)!

















PS1: Durante estes dias ainda tivémos direito a um "mini curso" de fotografia dado pela Vero... "Corta as pernas!!!!"
PS2: Não se preocupem! A esponja da loiça continua segura no meu armário! E nem me proximei do "tacho da massa ressequida"!

Paris, on t'aime - Dia 4

Dia 4! Ópera e Grands Boulevards - incluindo Printemps e Lafayette (infelizmente, era domingo...); Trinité e Saint-Georges; Musée de la Vie Romantique; Montmartre, com o Sacré-Coeur e Place do Tetre, com direito - finalmente! - a um belo crepe. E depois de descobrir as animadas ruas de Montmartre, ainda demos um saltinho ao Moulin Rouge. A tarde começou no Arc du Triomphe, seguida da descida da praxe dos Champs Élysees, cortando depois na Av.Montaigne com as suas lojas de Haute-Couture; de seguida, "baladámo-nos" junto ao Sena, revimos o Palais de Chaillot e a Torre Eiffel, percorremos os Champs de Mars com a sua École Militaire lá ao fundo e acabámos o dia nos Invalides, onde já não conseguimos visitar o túmulo de Napoleão ("Napulas" para os amigos!).




















































Paris, on t'aime! - Dia 3

Depois de uma manhã a passear pela Bastille e Marais - Place des Vosges, Maison de Victor Hugo, Hôtel de Ville, Pompidou, Les Halles - fomos vencidas pela chuva irritante que teimava em cair, e decidimos ir até Versailles! Infelizmente o meu GPS interno não funcionou por momentos, ou seja, fomos quase parar a Pontoise!!! Mea culpa (é o que dá ser vítima, não é?)!

Enfim, lá conseguimos visitar o belíssimo Palácio de Versailles e jardins, e ainda nos confundir ao tentar perceber a história francesa com os seus "Delfins" e "Delfinas", "Luíses" e "Madames de Pompadour". E acabámos o dia em grande, junto à Torre Eiffel iluminada... estivémos paradas à espera que ela se tornasse naquilo a que chamamos a "Eiffelzinha Psicadélica" (ou seja, que começasse a piscar)... mas ao fim de 10 minutos lá nos cansámos e resolvemos ir até casa.























Paris, on t'aime! - Dia 2

Disneyland ... e sim, tivémos um vipes e decidimos mostrar ao mundo que somos suficientemente corajosas para ir até ao Space Mountain; saímos com a cabeça às voltas de tantos loopings e parafusos e sem voz de tanto gritar (excepto a Vero que entrou no seu estado "múmia surda-muda")! E, achando que ainda não tinha sido suficiente, fomos de enfiada para o "Nemo" - pensávamos que seria algo calminho, com água, peixinhos.... Esqueçam! Nova montanha russa "a meia luz"! O que vale é que, a seguir, fomos salvas pelo Buzz Lighter!
















Paris, on t'aime! - Dia 1

Seis meses depois de ter chegado à chamada "cidade das luzes", pensava que já conhecia razoavelmente os cantos à casa... foi preciso ter duas super visitas para me provar o contrário! E, para quem as conhece, basta dizer os nomes para perceber a "dimensão" da diversão: Verónica e Raquel (mais conhecidas como Vero e Rach - só para os amigos, claro ;)! ).
Seis dias de pura animação! E mesmo apesar do cansaço, quando chegávamos a casa à noite havia sempre um restinho de energia para cozinhar, conversar e rir às gargalhadas até altas horas, ou simplesmente fazer uma sessão de cinema ou de séries acompanhadas por umas pipocas e chocolate (embora deva dizer que só a Rach conseguiu ter sempre os olhos abertos...).
Enfim, dias em que usámos e abusámos do autocarro 21 (Rach, lembraste da rua Gay-Lussac???), exercitámos as coxas e os glúteos de tanto andar e ainda tivémos direito a... uma inundação na casa de banho! Muito jolie!

Paris - e arredores! - foi vista e revista...

Dia 1: Notre-Dame de Paris e Ilê-de-la-Cité, incluindo a belíssima Sainte-Chapelle; o animado Quartier Latin com o Boulevard Saint-Michel, a Sorbonne, o Panteão e o Jardin du Luxembourg; Quartier de Saint-Germain (incluindo uma excursão à Ladurée com os seus macarrons) com a Église de St. Germain-des-Près; Musée d'Orsay com os seus geniais impressionistas; Concorde, Orangerie e Rue Royale; Église de la Madeleine e Boulevard des Capucines; Ópera.






























Monday, February 21, 2011

Maisons-Laffitte


Mesmo com o tempo "murcho", sabe bem sair de Paris, mesmo que o destino seja só a 18-20 Km...
Maisons-Laffite! Esta cidadezinha dos subúrbios de Paris é considerada a cidade do cavalo - basta passear nas ruas e olhar para os pés das pessoas para verificar que a grande parte anda com botas de montar.
Situada na margem esquerda do Sena e mesmo ao lado da floresta de Saint-Germain-en-Laye, é um local ideal para dar uma volta de bicicleta, caminhar nos bosques (com cuidado para não ser "atropelado" por um cavalo!)...
Tal como referi anteriormente, Maisons-Laffite é considerada a "cidade do cavalo". De facto, possui um grande hipódromo, cuja pista direita é a maior da Europa (com 2200 m); já a pista circular (conhecida por "Cercle de la Gloire") conta com 4680 metros.
Mas os "cavalos" não são a única atracção desta cidade. O Château de Maisons é uma referência na arquitectura
civil francesa do século XVII. "Encomendado" por René de Longueil (um alto magistrado mais tarde tornado "marquês") ao famoso arquitecto Mansart, este belo palácio alojou inúmeras figuras importantes, tais como Louis XIV, Anne-Marie d'Autriche e Voltaire (que escreveu neste local o poema épico "La Henriade"). Mas foi pela mão (ou melhor, bolsa!) de Jacques Laffitte que o palácio e o parque foram remodelados, com a redecoração dos interiores e a demolição de vários pavilhões, da Orangerie e das cavalarias (cuja magnificência rivalizava com as de Chantilly e Versailles).


Interiormente, o Palácio está muitíssimo bem conservado e é realmente um prazer poder passear calmamente pelos quartos, salas e salões, cheios de grandes candelabros, espelhos, quadros, esculturas... E como os visitantes não são muitos, não há a confusão e o barulho que muitas vezes enchem outros monumentos.
5 estrelas!


ACTUALIZAÇÃO: "embrulha Sporting"!!!! Merci Benfas!

Thursday, February 3, 2011

Manhã em Paris, tarde em Lisboa... merci aviões!

Sunday, January 23, 2011

Criez et faites crier!

Mais uma semana na cirurgia pediátrica! Depois de três meses a "estabelecer contacto com os franceses «grandes»", chegou a vez de tentar comunicar com os seres pequeninos que povoam o serviço de ChirPed e perceber o que significam os milhentos mono e dissílabos que utilizam para dizer "barriguinha", "dor" e coisas do género.
A unidade tem uma grande variedade de patologias; claro que não faltam apendicites, mas há também transplantados hepáticos (e eu já assisti a um TH!), muitos Hirschsprungs, alguns tumores de Wilms e rabdomiossarcomas do sistema urinário (uma vez que este é um centro de referência no que toca a cirurgia minimamente invasiva na terapêutica daquelas neoplasias, que depois é complementada com braquiterapia).
É incrível como seres tão pequeninos - alguns com poucas horas de vida - lutam tanto por sobreviver!

Apesar de inicialmente ter programado ir com uns amigos até Fécamp, a verdade é que o tempo e a necessidade de estudo obrigou a adiar passeio e acabámos por ficar por Paris. Depois de passar o sábado de manhã no Quartier de Saint-Germain-des-Près para mais uma oração, e de uma tarde de estudo, a noite foi de teatro... Desta vez, fomos até ao Théatre le Funambule (em pleno Montmartre) - com uma sala pequena mas acolhedora. A peça escolhida foi "L'affaire Calas", um monólogo muito interessante baseado num caso de condenação injusta, caso esse que inspirou Voltaire a escrever o seu "Tratado sobre a Tolerância" (uma obra sobre a tolerância religiosa - muito a propósito uma vez que esta era a semana de oração pela unidade dos cristãos). Jean Calas era o patriarca de uma família protestante que vivia em Toulouse durante o século XVIII, numa França dominada pelo catolicismo fanático. Corriam rumores de que um dos seus filhos - Marc Antoine - pretendia converter-se ao catolicismo. Quando este é encontrado morto, Jean Calas é acusado de homicídio e condenado à pena de morte, embora não existisse qualquer prova da sua culpa. Mais tarde, descobriu-se que, de facto, Jean estava inocente.
Uma peça muito interessante e brilhantemente interpretada. Apesar de ser um monólogo, a vivacidade e expressividade da actriz tornavam impossível qualquer cansaço! E a "banda sonora" de guitarra e acordeão... Vraiment super!
A soirrée foi terminada a comer "une crêpe sucrée" (é feminino! grande descoberta!) com um "chocolat chaud"... Andamos muito "gourmandes"! Mas o cérebro precisa do açúcar para ler (e tentar "armazenar") a Gastro do Harrison...

Saturday, January 8, 2011

Vreugde, mededogen, vergeving!

Não são raras as vezes que ouvimos que "há experiências que não se escrevem ou descrevem, mas que se vivem"... qualquer pessoa já passou por isso.
Falar da passagem de ano no Encontro Europeu em Roterdão não é fácil, sobretudo porque se tem e se guarda tanto no coração!
Cinco dias de partilha, cinco dias de alegria, de reencontro!
Depois de apenas 2h30 de viagem (um luxo comparado com as 24h que demorei o ano passado de München até Poznan), cheguei no dia 28 a Roterdão, cidade holandesa com o maior porto da Europa que viu nascer Erasmus de Roterdão (humanista do século XV/XVI), Jan Tinbergen (pai da Econometria) e o arquitecto responsável pela Casa da Música no Porto - Rem Koolhass. Fui acolhida na comunidade protestante de Carnissehaven, e fiquei na casa de um simpático casal juntamente com três rapazes polacos - os meus "guarda-costas" como costumávamos dizer na brincadeira, com os quais partilhei muitos bons momentos, gargalhadas e discussões (numa mistura de inglês, francês e alemão!) pela noite a dentro. Mais uma vez, a experiência de ser acolhida de braços abertos, de experimentar a bondade genuína do coração humano é indescritível.
As orações, assim como as refeições e alguns dos workshops, tiveram lugar no Ahoy, um centro de exposições sempre a fervilhar de gente, de entusiasmo, de vida... Foi aí que pude reencontrar muitas pessoas, amigos, alguns deles que já não via desde Poznan - reencontrá-los com a mesma alegria, com o mesmo sorriso, como se o tempo não tivesse passado!
É tão extraordinário ver tantos jovens à procura de Deus, com as mesmas perguntas, as mesmas inquietações e anseios, com desejo de mudar - a si mesmo, o mundo... E rodeados de milhares de rostos "bonitos, com um sorriso tão grande nos olhos" (como costumava dizer o Francesco, um tenor que cantava comigo no coro), é impossível não sorrir também ou deixar de cantar (mesmo que com um sotaque estranho ou até em línguas diferentes) "In de Heer vind ik heel mijn sterkte"!
O Encontro tinha por base a Carta do Chile escrita pelo irmão Alois, a qual pudémos discutir em pequenos grupos todas as manhãs e a partir da qual o irmão fazia as reflexões durante a oração da noite - reflexões essas que tocam sempre, que parecem ser feitas individualmente para cada um que as ouve... Não dão respostas, mas iluminam um pouco mais o caminho!
"Alegria, compaixão, perdão"... O desafio é viver estes três valores do Evangelho no dia-a-dia, na nossa família, no grupo de amigos, na faculdade/trabalho. É fácil quando estamos na montanha com o Senhor durante cinco dias, quando - juntamente com outros "apóstolos" - montamos uma tenda e aí ficamos a escutá-Lo... Agora há que descer e partilhar o que vivemos, o que nos foi ensinado - não só através palavras, mas sobretudo através de acções e atitudes...
E para terminar, aqui fica o poema que a "minha família" me enviou depois de partirmos:
May love and laughter
light your days
and warm your heart
and home...
May good and faithful
friends be yours
wherever you may roam...
May peace and plenty
bless your world
with joy that long endures...
May all life's
passing seasons
bring the best
to you and yours...

Friday, December 24, 2010

"E o Verbo fez-se carne e habitou entre nós" (Jo 1, 14)

Monday, December 20, 2010

Countdown!

Bem, parece que este blog está a seguir a tendência da dona para hibernar...mas ainda não é desta!
A poucos dias de dizer "au revoir" (temporário!) à Cidade das Luzes (depois de 3 meses non-stop aqui por terras francesas) e de ir passar o Natal noutro local não menos "exótico" (e não menos frio! - Munchen, Ingolstadt) aqui fica um relato do mais recente museu visitado: Musée de la Musique.
Este museu fica situado na Cité de la Musique, no quartier de la Vilette... Um espaço amplo, onde também fica situado o Conservatoire National Supérieur de Musique et de Danse de Paris. É espectacular ver, tanta gente com instrumentos às costas e aos ombros... tudo tem um ar tão... musical! Ou seja, a expectativa era alta...
O Museu - um edifício moderno, grande e branco - apresenta uma colecção permanente de instrumentos de música clássica e alguns instrumentos populares, do século XVII aos nossos dias; desde violinos, vihuelas, clavicórdios, espinhetas... Interessante, mas faltou um toque musical! Estava à espera de um passeio pela história da música e ser confrontada com o século XVII assim de repente deixou-me um pouco atordoada. Não me julguem mal, eu gosto do séc.XVII! É o século de Shakespeare, da colonização americana, da invenção do telescópio, da Guerra dos 30 Anos, da publicação do Discurso sobre o Método de Descartes, da independência de Portugal (!), de Luís XIV e do seu Palácio de Versalhes, da Lei da Gravidade de Newton, do motor a vapor... e tantos outros! Mas a música existe desde que o homem existe, desde a Antiguidade!!
O dia foi "salvo" pelos "Concertos Promenade", como é costume no 2ª domingo de cada mês. São concertos interpretados por alunos do conservatório de Paris e devo dizer que foi cinco estrelas, bastante bom mesmo! Em Dezembro, o tema era as grandes "Heroínas Míticas", com extractos de óperas, cantatas e oratórios.
Acabámos - eu, a Annika e o Karl - por ir ver, no espaço do século XVII, o ciclo relativo a Zaïde, em clavicórdio solo, com obras de Couperin, Duphly, entre outros. (Zaïde, a escrava favorita do Sultão Soliman, apaixona-se por Gomatz - também um escravo - e decidem fugir; no então são capturados e, como Zaïde escolhe Gomatz e rejeita o Sultão, acabam por ser ambos condenados à morte).
No espaço do século XVIII, foi a vez de ouvir a sonata "Didone Abbandonata" de Giuseppe Tartina, maravilhosamente interpretada por Niels Coppalle, Emmanuel Resche e Elodie Seyranian. Esta pequena obra fala de Dido, rainha de Cartago, que se apaixona por Eneias que aí procura refúgio depois de fugir de Tróia. No entanto, Eneias acaba por partir, já que tem como destino fundar o império de Roma. Dido, consumida pela loucura e tristeza, acaba por se suicidar.
Por último, no espaço do século XIX, ouvimos um duo de piano e canto, com obras de Saint-Saens, Berlioz, Richard Strauss, entre outros... Desta vez a heroína foi Ophélie, uma personagem do romance Hamlet (Shakespeare), com o qual partilha um romance platónico. A jovem acaba por enlouquecer após a morte do pai e morre em circunstâncias obscuras...
Nota do museu: 6/10 (com os concertos :8/10)

Depois de "tanta tragédia", acabámos por ir para casa da Annika fazer Weihnachtsplätzchen e Vanillekipferln. Uma delícia! (com muito açúcar e manteiga! nem pareciam feitos por mim!...)
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E para "prepação psicológica", aqui fica algo que todos os alemães conhecem e ouvem no Natal: http://www.youtube.com/watch?v=ucwUHQX-LvU

Wednesday, December 8, 2010

"Une tempête de neige perturbe l'Ile-de-France" [Reuters]


Quem não gosta de um pouquinho de neve no Inverno?? Construir bonecos de neve... batalhas de bolas de neve... fazer ski (embora comigo funcione mais o "sku")...

No sábado passado, de manhã, fui surpreendida por um "bater leve" na janela... Seria chuva, seria vento? Não: vento não era certamente, e a chuva não batia assim... Fui ver: NEVE a sério a cair! Já não era a minha primeira neve parisiense, mas caía tanta, tanta, tal e qual como na Alemanha e na Polónia! 5 estrelas... Foi espectacular poder ver Paris debaixo de um mantinho branco. A Igreja de St Germain com o telhado completamente escondido por debaixo da neve, as árvores salpicadas de branco, os carros a andar devagarinho e a parar nas passadeiras para deixar os peões atravessar (milagre!)...
Pois é, mas o problema é o "depois"... Embora os termómetros estejam quase constantemente nos -1/0ºC (por vezes, de manhã, descem até aos -3ºC!), de vez em quando lá lhes dá para subir até uma temperatura positiva e... é a desgraça! A neve tão "engraçadinha e fofinha" transforma-se numa papa de lama que deixa os sapatos e as calças todas sujas; os carros deixam de "andar a direito" e os transeuntes correm o risco de receber uma "festinha" de um capot. Neve est jolie mais pas toujours...

E, para terminar, deixo aqui uns apontamentos sobre o "dia-a-dia"...

1º Frio e Neve - Neve tem sido "o pão nosso de cada dia" e hoje não foi excepção: foi non-stop, a "bombar" das 11h até às 18h, mas a nevar a sério! Quando saí do hospital, a neve já tinha a altura de um palmo e estava escorregadia, ou seja, eu parecia uma "pata" a andar (ou melhor "marche en steppage" - e não, não tenho nenhum défice L4L5)! Até aqui, nada de especial, o problema é quando os transportes deixam de funcionar (e para os turistas, quando a Torre Eiffel fecha)! É verdade, não são só as intermináveis filas de trânsito e os aeroportos que suspendem os voos (como hoje aconteceu em Roissy), mas os autocarros e linhas de metro também sofrem paragens... Resumindo e concluindo, sem autocarro 125, lá tive de voltar para casa a pé, debaixo de uma neve interminável que se enfiava entre os olhos e os óculos (é uma das chatices de usar "lunettes"!) e de um frio que nem com o gorro, o cachecol, o super casaco, as luvas e os 3(!) pares de meias melhorava (se as minhas irmãs me vissem, diriam que eu parecia a rena Rudolfo - dado o meu nariz vermelhinho - mascarada de cebola - devido às milhentas camadas de roupa que trazia).
Portanto, está praticamente decidido, vou comprar um fato de ski com botas e tudo para ir para o KB :P

2º a Língua continua a ter um não-sei-quê de estranho - epá, a sério! quando os franceses começam a falar depressa e naquele francês cheio de abreviaturas, não percebo nada, mesmo! O rapaz que está comigo no serviço fala tão depressa, mas tão tão depressa e usa tantas mas tantas expressões idiomáticas, que eu de vez em quando acho que ele está a falar russo, ou chinês, ou coisa parecida! É que ainda por cima, parece que já me "contagiaram" com esta coisa das abreviaturas: hoje dei por mim a dizer a uma enfermeira, durante a visita, "à tout" (em vez de "à tout à l'heure")... Será caso para me começar a preocupar?

3º aparências que iludem... - com os meus olhos e cabelos castanhos e 1m60 de altura (que é pouquinho aqui nesta terra de gigantes, embora na Alemanha me sinta mais anã), parece mesmo que não consigo enganar ninguém quanto ao facto de não ser francesa (talvez o meu "accent drôle" - como costumam dizer os doentes, no meio de um sorriso - e o facto de não ter 3Kg de maquilhagem na cara também ajude...). Já me disseram que tenho cara de quase tudo: argentina, mexicana, italiana, tunisiana, marroquina, espanhola... Ou seja, embora não engane quanto ao facto de "não ser francesa", consigo enganar quanto à verdadeira nacionalidade, já que não se lembram de incluir "portuguesa" na lista!

PS: aqui fica um excerto do Le parisien sobre o dia a "tempestade" de hoje. Parece que temos um novo record (mas não é do Guiness!): "18h30. 394 kilomètres de bouchons sont signalés en Ile-de-France, ce qui constitue le record absolu du CRICR. Le précédent record (377 km) datait du 21 octobre 2008" (http://www.leparisien.fr/transports/en-direct-la-neige-paralyse-l-ile-de-france-record-d-embouteillages-08-12-2010-1183114.php). Devo dizer que a Périphérique, pelo que vejo da minha janela, parece uma árvore de natal com luzinhas vermelhas (que não se mexem...)!

Sunday, November 28, 2010

Évry - 20 Novembre 2010


(já muito atrasada!)
A propósito do fim de semana passado...


Depois de uma semana de trabalho intenso (que teve direito à "Messe des Étudiants" - Super!!), nada melhor do que ir "apanhar um pouco de ar fresco" e sair de Paris! Sim, porque isto de ser a única pessoa no serviço que fala inglês dá direito a ver tudo o que é doentes "estrangeiros"... vindos do Mali, Irão, Polónia... enfim, uma festa. O pior é quando nem inglês falam bem - o caso de um dos iranianos... enfim, como diria a minha irmã mais nova "Keep calm and fake a British accent" (embora naquele caso nem british, nem français, nem coisíssima nenhuma! Pronto, talvez árabe já "marchasse" mas disso eu é que "non capisco"...). A verdade é que lá nos íamos entendendo com a ajuda de um livrinho que o senhor tinha e, no último dia de internamento, ainda lhe dei uns conselhos sobre os melhores perfumes franceses para ele levar para a "misses" dele (como costumava dizer). Uma risota!

Bem, deixando de divagações, como dizia, no sábado fui até Évry. E soube tão bem! Pus a minha mochila às costas com o meu saco-de-cama (que veio a ser muito útil!) e lá fui em direcção à dita cidade, aproveitando o sol espectacular que "o" S.Pedro oferecia! O plano inicial era encontrar-me com o Guillaume e a Annika em Évry. No entanto, alguém "resolveu" atirar-se para a linha do RER, o que deu direito a "circulação interrompida por tempo indefinido"! Resumindo e concluindo, eles não conseguiram vir...
Mas é nestas alturas que acontece sempre qualquer coisa inesperada: encontrei o Alexandre do IST (que neste momento está a fazer Erasmus no Polytechnique)! Portanto, acabei por ir com ele e com mais dois amigos dele - o Étienne (francês) e o Dominik (alemão) - a um grupo de partilha sobre "Partir ao encontro do outro". Acabado o grupo, fomos até ao terraço da igreja para o convívio acompanhado de um chá - e como 1 caneca não foi suficiente para aquecer (apesar do sol, estava "milhões" de frio!) - acabámos por tomar para aí umas 3 ou 4 (tenho a impressão que o Dominik chegou a ir encher a caneca uma 5ª ou mesmo 6ª vez!).
Voltando para dentro da catedral, tivémos a partilha final com o Ir. Alois, seguida da oração. Esta última dispensa quaisquer comentários! Saímos da catedral com um grande sorriso e uma grande, grande alegria, ainda com o "Aber du weisst den Weg für mich" nos ouvidos!!!
Dado que tínhamos a barriga "cheia de água", acabámos por terminar a curta estadia em Évry a jantar kebab junto à estação, antes de regressar a Paris!


PS1: A foto do post refere-se à Catedral de Évry (Cathédral de la Résurrection d'Évry) uma construção gigante moderna, cuja forma circular simboliza a perfeição divina e a comunhão de todos os povos, sem exclusão.
PS2: Na passada 6ª feira estava tanto frio, mas tanto frio que nevou!!! Epá a sério! A minha primeira neve "parisiense" ;)
PS3: Para a semana, em "solidaridade" com o feriado português do 1º de Dezembro, parece que aqui os franceses vão voltar a fazer greve! Eu nem comento... mas como sou (quase sempre) do "contra" vou na mesma para o hospital!