Mais uma semana na cirurgia pediátrica! Depois de três meses a "estabelecer contacto com os franceses «grandes»", chegou a vez de tentar comunicar com os seres pequeninos que povoam o serviço de ChirPed e perceber o que significam os milhentos mono e dissílabos que utilizam para dizer "barriguinha", "dor" e coisas do género.
A unidade tem uma grande variedade de patologias; claro que não faltam apendicites, mas há também transplantados hepáticos (e eu já assisti a um TH!), muitos Hirschsprungs, alguns tumores de Wilms e rabdomiossarcomas do sistema urinário (uma vez que este é um centro de referência no que toca a cirurgia minimamente invasiva na terapêutica daquelas neoplasias, que depois é complementada com braquiterapia).
É incrível como seres tão pequeninos - alguns com poucas horas de vida - lutam tanto por sobreviver!

Apesar de inicialmente ter programado ir com uns amigos até Fécamp, a verdade é que o tempo e a necessidade de estudo obrigou a adiar passeio e acabámos por ficar por Paris. Depois de passar o sábado de manhã no Quartier de Saint-Germain-des-Près para mais uma oração, e de uma tarde de estudo, a noite foi de teatro... Desta vez, fomos até ao Théatre le Funambule (em pleno Montmartre) - com uma sala pequena mas acolhedora. A peça escolhida foi "L'affaire Calas", um monólogo muito interessante baseado num caso de condenação injusta, caso esse que inspirou Voltaire a escrever o seu "Tratado sobre a Tolerância" (uma obra sobre a tolerância religiosa - muito a propósito uma vez que esta era a semana de oração pela unidade dos cristãos). Jean Calas era o patriarca de uma família protestante que vivia em Toulouse durante o século XVIII, numa França dominada pelo catolicismo fanático. Corriam rumores de que um dos seus filhos - Marc Antoine - pretendia converter-se ao catolicismo. Quando este é encontrado morto, Jean Calas é acusado de homicídio e condenado à pena de morte, embora não existisse qualquer prova da sua culpa. Mais tarde, descobriu-se que, de facto, Jean estava inocente.
Uma peça muito interessante e brilhantemente interpretada. Apesar de ser um monólogo, a vivacidade e expressividade da actriz tornavam impossível qualquer cansaço! E a "banda sonora" de guitarra e acordeão... Vraiment super!
A soirrée foi terminada a comer "une crêpe sucrée" (é feminino! grande descoberta!) com um "chocolat chaud"... Andamos muito "gourmandes"! Mas o cérebro precisa do açúcar para ler (e tentar "armazenar") a Gastro do Harrison...
3 comments:
hmmmm vinha mesmo bem "uma crepe" adoçada com chocolate quente derretido =D (..suspiro..)
Por mim... ficava-me pelo "crêpe" com mel e canela!!! Hum!!! Hum!!!
Viver o teatro. Há dias assim, diferentes e quebram...
Mas as crianças são sempre as crianças. O problema são os adultos! Não é fácil percebê-los não é fácil entendê-los.
É preciso ter Fé, é preciso ter esperança, é preciso acreditar, .... que o teu dia vai chegar.
É preciso que estejas atentas para te aperceberes quando esse dia vier.
jonny
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