Sunday, October 10, 2010

Il y a...

Mais uma semana… o que parecia no início ser praticamente insuperável lá se vai concretizando! Já começa a ser mais fácil falar com os doentes, perceber os diários clínicos… no fundo, já me estou a habituar à rotina no serviço! O que tem sido mais “chato” é adaptar toda uma semiologia clínica que aprendi em português (e inglês) ao francês. Aqui as dores não são pulsáteis, tipo opressão, etc, mas “en coup poignard”, “piqûre”, “type brûlure”, “en étau”, etc! mas, aos poucos, vai entrando. Também sinto falta de um acompanhamento médico: aqui os “externes” estão completamente sozinhos a ver todos os doentes internados, a rever a medicação e exames pedidos, e só vão falar com os médicos em caso de dúvida – e quando os conseguem apanhar, porque geralmente estão a operar.
Há dias que correm muito bem, há outros que nem por isso… na 5ªfeira passada foi um desses dias – apeteceu-me mesmo pegar nas minhas coisinhas e mandar tudo à fava, para não dizer outra coisa. Estava com um doente paraplégico que fez um traumatismo craniano grave com perda de conhecimento (esteve em coma na Réanimation durante um mês) numa briga quando estava a drogar-se (um “mocado em heroína” cheio de bactérias multirresistentes, que sorte, hã?!) e, juntando à festa, tinha uma paralisia parcial das cordas vocais. Ou seja: comunicação praticamente a tender para zero! No meio do meu desespero para o entender e me fazer entender, olhei pela janela e vi que lá ao fundo conseguia avistar o Sacré-Coeur! E pensei “caramba, estou mesmo em Paris! Chega de stresses e bora lá dar os 200%”! E a verdade é que tendo um espírito positivo a coisa torna-se mais fácil e os franceses até começam a parecer mais simpáticos!
E para acabar a semana em grande, encontrei um texto sobre o “arranque” na net, num site de um Padre Jesuíta que costumo visitar (
http://amar-tesomente.blogspot.com), do qual destaco este excerto: "Começar algo é, de certa maneira, assumir consequências do caminho percorrido, mesmo das etapas que não parecem importantes ou que preferíamos não ter passado. Estamos inteiros na nossa história, quer queiramos quer não. E sonhar com dias futuros, luz de fim do dia e reflexos de cores nas paredes da nossa casa, é um poema que escrevemos todos os dias. Com a melhor arte que temos: a Vida que pomos à disposição do mundo.”
C’est vrai…

1 comment:

Unknown said...

Interessante!

Na vida só há o caminho para a frente e nunca para trás. Por mais que se queira voltar ao passado e impossível. Por isso, e preciso tratar bem do Presente ....

Jinhos