Depois do dia e noite de ontem, juro que não sei como consegui acordar às 9h!
Depois de ir à missa à Madeleine (divinal!), decidi aproveitar o solzinho e explorar melhor o Quartier Marais, uma zona tipicamente bourgeois que se estende entre o 4ème e o 3ème arrondissements. Inicialmente uma zona pantanosa, acabou por se tornar um dos centros da aristocracia parisiense. Actualmente, nela reside uma importante comunidade judia. O Marais não foi praticamente atingido pela “restruturação “ de Haussman, conservando, portanto, ruas tortuosas e edifícios baixos, de todas as formas e feitos, interrompidos por pequenos jardins e palacetes. O meu primeiro objectivo era visitar o Musée Picasso (situado no Hôtel Salé), gratuito no primeiro domingo do mês. Infelizmente, parece estar fechado até à Primavera devido a obras de restruturação. Uma placa “muito engraçada” na entrada aconselhava os visitantes a visitar a exposição em Helsínquia ou noutros locais mais exóticos! Vou pensar no assunto…
Mais, pas de problème! O Marais tem muuuiiiittttoooo para ver! Já que estava próxima, resolvi visitar o Musée Carnavalet, ou melhor, o Museu da História de Paris. Este museu ocupa dois palacetes, o Hôtel Carnavalet e o antigo Hôtel Le Peletier de Saint Fargeau e alberga uma colecção de objectos relacionados com a história da cidade, desde o século XVI ao século XX: pinturas, esculturas, objectos do dia-a-dia, mobiliário,… Achei particularmente interessante a parte da exposição relativa ao século XIX (nomeadamente à Revolução Francesa, aos Impérios e Repúblicas). Não considero ser um museu absolutamente indispensável, mas se houver tempo e aproveitanto que é gratuito, porque não?
Próxima paragem: Musée Cognacq-Jay, um belíssimo museu que exibe a colecção privada do casal Ernest Cognacq e Marie-Louise Jay, que não deixou filhos e, portanto, doou toda a colecção à cidade de Paris. Entre uma conjunto excepcional de quadros, esculturas, cerâmicas e jóias (obras sobretudo do século XVIII), é possível encontrar pinturas de Jean-Honoré Fragonard e Rembrandt.
É impossível visitar o Marais sem passar pela movimentada Rue des Francs Bourgeois, onde, mesmo sendo domingo, todas as lojas estão abertas! Esta rua estende-se da Rue Rambuteau (que, se se lembram, começa perto do Centro Georges Pompidou) até à Place des Vosges, outro destino imperdível. Esta praça – uma das mais antigas da cidade - está rodeada por edifícios de tijolo vermelho e telhado escuro e tem no centro um agradável jardim com a estátua equestre de Luís XIII (a original foi “derretida” aquando da Revolução Francesa). A Place des Vosges foi edificada sobre o antigo palácio real das Tournelles com o intuito de a tornar num passeio público ladeado por residências para a nobreza e burguesia. Várias personalidades célebres habitaram neste espaço, entre elas o escritor Victor Hugo. E como não era tarde, resolvi ir “bater-lhe à porta”, na esperança que me dessem um cafezinho para acabar com a “minha-dor-de-cabeça-de-privação-de-cafeína”.
Não me deram um café, mas brindaram-me com uma entrada gratuita! (não foi mau!) O escritor romântico Victor Hugo (conhecido pelas obras “Os Miseráveis”, “O último dia de um condenado” e, é claro, “O Corcunda de Notre-Dame”) habitou no nº6 durante 16 anos (1832-1848) da sua atribulada vida. Apesar de ser um museu pequeno, reconstrói alguns salões e antecâmaras de algumas das moradas do escritor, inclusive o quarto onde faleceu.
Perto da bela Place está uma outra, a Place de la Bastille, local onde esteve erguida a conhecida Bastille, mandada construir pelo rei Carlos V de modo a proteger Paris a leste. No entanto, acabou por ser convertida numa prisão. Foi palco de inúmeros eventos, sendo de assinalar o seu assalto a 14 de Julho de 1789, naquilo que seria o acender do rastilho para a Revolução Francesa. Acabou por ser demolida e grande parte das pedras foram utilizadas na construção da Pont de la Concorde. Actualmente, pode-se encontrar uma espaçosa praça, com a Coluna de Julho (monumento à Revolução de 1830) no centro, e, lateralmente, a Ópera-Bastille, “irmã” do Palais Garnier. O edifício moderno é magnífico e dizem que a sala de espectáculos é 5 estrelas… tenho que ir ver com os meus próprios olhos!
De seguida, meti-me pela Rue St. Antoine até à animada Rue de Rivoli, onde encontrei a imponente Église Saint-Paul-Saint-Louis (a primeira igreja jesuíta erguida em Paris) e, nela, um Delacroix escondido (Le Christ en agonie au jardin des oliviers). Depois de ter dado um saltinho à Maison Européene de la Photographie (gratuita às 4ªs feiras das 17 às 20h… boa! Já tenho programa para “mercredi”, aproveitando que saio mais cedo!) e de ter passado “de raspão” pelo Mémorial de la Shoah, acabei o “tour” na Église de Saint-Gervais-Saint-Protais, ideal para um último momento de recolhimento.
Um fim-de-semana à maneira, sem dúvida!! Mas agora quem é que me vem fazer uma grande massagem?? Epá, é que estou mesmo que nem posso!
Musique du jour: Revoir Paris (Charles Trenet, arr. guitarra R. Dyens)
4 comments:
Oh Maria! Uma massagem preciso eu nos olhos sempre que leio o que para aqui escreves!
:)
Bjs,Pipo
Pelos vistos tenho que ir ai levar-te um cafezinho. Sera que ai também há daqueles pastilhas iguais as que nos usamos aqui?
Bj Joao
Oh Pip! não me destruas a moral :( E não é Maria, é "Máriá"!
Ah! E responde-me ao meu mail que é curtinho :P
beijinhos!
Bia...
Já sei que quando quiser visitar Paris vou voltar a ler os teus textos todos antes de ir (ou então levo-te na minha mala!!!
Fico muito feliz por saber que te estás a integrar bastante bem e que já tens amigos por aí!
Quanto ao hospital e às responsabilidades... acredita em ti porque tu és capaz!
Aproveita acima de tudo a experiência! E quando deres por isso já é altura de voltar. Por isso toca a aproveitar cada dia que passa!
Um grande grande beijo
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