Sunday, October 3, 2010

Un café désert, sans les cafés les gares [vendredi]


E pronto, sou oficialmente “externe” no hospital, com direito a bata e a plaquinha! A coisa não começou muito bem… o hospital é enorme e o serviço de neurocirurgia está muito bem escondido. E também ele é enorme (talvez com tantas camas como os serviços de Medicina III, IV e Orto do São Francisco), o que deu direito a carimbo de “perdida”, mas lá consegui chegar a tempo e fazer compreender ao Professor que eu era a “Mademoiselle De Oliveira” e que me podia tratar por Maria, ou melhor, “Máriá” (sim, aqui sou conhecida assim! La vita è difficile!).
Digamos que a primeira hora não correu muito bem (que saudades da minha mega super turma!) e que a simpatia não prima entre os estudantes de medicina aqui por estas bandas, mas lá ficou melhor. Depois da ronda por todos os doentes e revisão das fichas, das 11h às 13h estive na reunião de “staff” para a discussão dos casos mais complicados. O serviço tem patologias muito diversas, desde traumatismos cranianos, hérnias discais, (milhões!), seringomielias, AVCs e síndromes de Von-Hippel Lindau, a aneurismas e hemorragias cerebrais, malformações de Arnold-Chiari e tumores cerebrais (todos os tipos que possam imaginar); ou seja, o que não falta é variedade! Por enquanto, estou dispensada de bancos, talvez comece em Novembro. E ainda bem! Porque aqui são os “externe” que recebem sozinhos os telefonemas relativamente aos doentes que estão a caminho, que os recebem na urgência, fazem história clínica e exame objectivo e só depois de terem toda a informação é que telefonam ao interno para ele decidir o que fazer. Epá, eu até gosto de desafios, mas isto é muito responsabilidade! On verra…
Enfim, sobrevivi e para a semana há mais! Obviamente, a tarde foi passada a rever síndromes piramidais e extrapiramidais e mais umas coisinhas de neuroanatomia!


E que tal ir ao teatro?? É absolutamente obrigatório ou não fosse estar na cidade do Molière e de outros que tais! O ponto de encontro foi o Pompidou, debaixo de uma chuva interminável, numa noite muito escura; E o grupo de ataque: eu, a Annika, a Fanny, o Davi, a recém chegada Katharina e mais um rapaz com um nome super complicado, que nem me atrevo a tentar escrever!
O teatro não era muito longe, no Café de la Gare, situado numa praceta super mas super simpática em pleno Marais, rodeada por pequenos edifícios, por entre as janelas dos quais se podiam ver bailarinos a ter aulas de dança. Era só escolher: no 1º andar de um dos edifícios, havia salsa, no rés-do-chão do outro era flamenco, noutro dançava-se step! Tudo isto numa mistura de música que dava mesmo vontade de dar um pezinho de dança! Aproveitando um desconto, a peça escolhida foi: “Cyrano m’était conté” (uma comédia) e devo dizer que, apesar de ter percebido para aí 40%, adorei – o espaço, a interpretação, a articulação das cenas, o texto (o que percebi)!

On a bien rigolé!

3 comments:

Marie said...

Un café désert... Un parfum de fin du monde... "Les uns et les autres", un filme qui remplit le coeur ... Tu me fais revivre tant de choses!
MM

MARIII said...

OLÁ PALERMA =D

saudadinhas? noppppp, estamos tão perto que quase te posso dar um huggie (se me deixasses, pois claro)

bem, tem uma boa segunda e põe um simile na fronha

mariii

Unknown said...

Daqui a 15 dias estas lançada nesse hospital. Sem segredo, sem pontos negros. A Maria vai estar sobre a observação do Big Brother

Boa sorte Joao