Thursday, November 4, 2010

"Un dia de Noviembre"


Chegam os dias... os dias escuros que vão cada vez ficando mais pequenos, que dão lugar à noite. Os dias do frio, da chuva, do vento cortante e gélido. A terra parece entrar num estado de "hibernização" iminente, preparando-se para adormecer... quem sabe para armazenar toda aquela energia que liberta nos longos dias de Verão.
Há quem diga que estes dias são tristes; serão?
Na verdade, Novembro está "arrumado" num espaço complicado... para trás ficam os dias de típicos de outono, nos quais o calor ainda se mistura com o quente, o ar está pintado com o cheiro a castanhas e as árvores estão enfeitadas com romãs, nozes e diospiros. Há (quase) sempre aquela esperança - mesmo que inconsciente - que Novembro passe depressa e que "o" Dezembro das festas chegue, numa tentativa de acabar o ano de forma antecipada.
Mas é neste mês que vamos buscar as camisolas quentinhas com golas gigantes, o cachecol feito pela avó, as luvas tricotadas pela tia...
É em Novembro que calçamos umas galochas e saltamos nas poças de água que mais parecem lagos... que damos passeios pela floresta e sentimos o cheiro da terra molhada a perfumar os nossos ossos...
É em Novembro que as azeitonas começam a escurecer e a preparar-se para finalmente amadurecer e assim, já sob a forma de um líquido leve, iluminar o escuro e "regar" pratos que aquecem as entranhas...
É em Novembro que o sol lá do alto se torna tímido, encondendo-se teimosamente atrás daquelas nuvens de aspecto cinzento e carregado...
É em Novembro que passeamos por entre árvores meias despidas com os ramos a tremer... caminhados sobre um tapete de de cores e nos deliciamos a "pontapear" os montinhos de folhas empilhados aqui e ali...
É em Novembro que nos sentamos à lareira a ler um bom livro... que nos sentamos debaixo de um alpendre com uma manta quente sobre as pernas e um chá quente ou um glühwein na mão, a ouvir uma "orquestra" de pingos de chuva a bater nas telhas e a (es)correr pelas caleiras...
É em Novembro que cresce em nós o desejo se sermos mais perfeitos, mais santos... e se faz memóra dos que já partiram - aqueles que nos eram tão queridos - com esperança de nos reencontrarmos no "início" que vem depois do "fim"...
É em Novembro que, em alguns países (incluindo França) se recordam os "sacrifícios humanos" resultantes das guerras (em particular da I Guerra Mundial) e se celebra, com uma papoila na lapela, a assinatura do Armistício...
É em Novembro que, do outro lado do oceano, se reúnem famílias para dar graças a Deus...
É em Novembro que começamos a preparar o coração para acolher o desafio do Advento que se adivinha já tão próximo...
É em Novembro que começamos a sonhar com o próximo Verão, com os dias em que vamos cantar uma simples canção na praia, com o mar como pano de fundo e o sol como holofote daquele grande palco que é o areal.

E aqui fica este belíssimo vídeo, de uma simplicidade extraordinária http://www.youtube.com/watch?hl=en&v=uLwrjQkytfc&NR=1&gl=US
[gosto especialmente do momento em que a Teresa "comenta" as notas apressadas o Pedro A. Magalhães - 1:41]

3 comments:

Marie said...

Pour moi, novembre m' a enlevé mes grands mères et mon grand-père Antunes ... C´est un mois trop triste! Toutefois, ton texte est très beau!
mm

Unknown said...

Novembro chegou cheio de magia. Eu tu? Pelos vistos conseguiste fazer uma boa descrição do que e Novembro.
As minhas pantufas estão nos pés, a resina já arde na lareira, castanhas e nozes estão no forno, ...
So faltam os amigos para partilhar tudo isto.

Jonny

marii said...

a expressividade dos verbos e das palvras é de fazer. fazes justiça a novembro :D
,ou seja, resumindo, concluindo e baralhando,

até escreves bem pimpolho ...