
Já que o dia está espectacularmente espectacular, com um sol de fazer inveja a qualquer Alemanha (“né” Tita e Papi?) e quase a até me atrevia a dizer a Portugal, e aproveitando o facto de ter de tratar do cartão Navigo (o passe cá do sítio), bora ir a Paris-Paris?? Só para "abrir o apetite"!
Boulevard Montmartre (C. Pissaro)
A Cité Universitaire tem mesmo à porta o RER B, o que é perfeito para ir até ao centro de Paris. O meu destino foi Châtelet-Les Halles que, extraordinariamente tem uma Fnac, o que me permitiu ir ver se encontrava o meu próximo livro a ler, uma super recomendação: “A Year in the Merde” (não se escandalizem com o título, vá! é um livro sobre um inglês que vai trabalhar em Paris durante um ano, com uma pitada de ironia e crítica sobre os franceses…); o único senão é que, quando andava pela Fnac com o livro debaixo do braço, lançavam-me uns olhares que, se matassem, não estava aqui a escrever…
Aproveitando estar em Les Halles, pensei em dar um saltinho ao Centre Georges Pompidou e assim começar a devorar museus… infelizmente hoje, como era 3ª feira estava fechado! Que sorte, hein? Pas de problème! Deu para estar sentada a descansar na praça em frente ao museu a delinear com o mapa o percurso da tarde e comer a sandocha que levei para o lanche. E ainda havia um bacano a tocar guitarra e a cantar. Só era pena cantar tão mal e tocar ainda pior! Como não podia deixar de ser, visitei a Fonte de Stravinsky (Fontaine des automates), em homenagem ao compositor Igor Stravinky (um dos meus favoritos, não fosse ele ser russo!)
Enfim, enveredei pela rua Rambuteau que desenha a fronteira entre o 3ème e o 4ème arrondissement, e depois cortei na St. Denis, onde, para além de quase ter sido atropelada por bicicletas assassinas para aí umas 10 vezes, encontrei a Igreja de St.Leu e de St. Gilles, uma igreja gótica muito simpática onde estive um bocado. O que gosto no gótico (e que nesta igreja não me desiludiu) é a forma como nos leva mais alto – graças à sua verticalidade, fruto dos arcos quebrados/ogivais, a luz que falta aos edifícios românicos e que parece mesmo aquecer o coração. Foi também aqui que fiquei a conhecer um santo: St. Benôit Labre, que não escreveu livros nem tratados espirituais e era um homem de poucas palavras; era um viajante sem bagagem, que partia de manhã sem saber onde passaria a noite, nem quando tempo duraria a viagem. Dizia que o essencial é pormo-nos a caminho, sem bagagens inúteis, numa peregrinação interior que nos leva até Deus, tendo como guia sempre Jesus Cristo. Não sei porquê, mas as palavras que li (se não me engano, qualquer coisa como: “Suivre le guide; Partager le peu qu’on a; Ne jamais se décourager; Ne jamais s’installer”) tocaram-me…
Seguindo pela Rue Étienne Marcel (que termina na Place des Victoires – consagrada às victórias de Luís XIV) e depois pela simpática Rue de Montmartre, voltei a Les Halles para encontrar a belíssima Église de Saint Eustaque, de um gótico gigantesco e fachada gótica-neoclássica, que cumpre a sua missão de elevar qualquer um até ao céu. Uma daquelas jóias de Paris que quem não está atento deixa escapar; tem umas capelas deambulatórias lindíssimas, todas pintadas; a não perder a capela do Santíssimo Sacramento, não só para um momentinho de recolhimento, mas também para se deixar deslumbrar pela beleza das pinturas.
Continuando o passeio e, depois de passar pela Tour de Saint Jacques, pude chegar à Pont Notre Dame sobre o Sena e admirar a Île de la Cité, com o seu Hôtel-Dieu (que, não, não é um hotel mas sim o hospital mais antigo de Paris onde estiveram médicos/cirurgiões como Bichat, Dupuytren e Trousseau - epá! já ouvi estes nomes em algum lugar...) e a Conciergerie. Ao fundo, podia adivinhar-se a Torre da Saint-Chapelle (definitivamente a revisitar noutro dia). E depois de passar pelo Palais de Justice, fui visitar Notre-Dâme, claro! Tive a sorte de chegar mesmo a tempo das vésperas e de ouvir o órgão da igreja tocar! Ligeiramente arrepiante! Quanto a Notre-Dâme em si, devo confessar que não teve o mesmo brilho que teve para mim há uns anos; não sei, depois de visitar outras igrejas como a Catedral de Reims, a Catedral de Chartres, ou a de Bourges (e isto só para falar de algumas igrejas francesas, já nem falo de italianas ou mesmo alemãs!), não me tocou verdadeiramente… Uma notinha para a Pièta com a Cruz que está atrás do altar-mor – essa sim, com a iluminação que tinham colocado, estava absolutamente divinal! Ah! Nota também para os contrafortes e arcos botantes no exterior da igreja, que desenham uma espécie de esqueleto que equilibra toda a construção.
De seguida, perdi-me na simpática e animada Rue da la Huchette e arredores, com “milhões” de restaurantes, principalmente gregos, até que cheguei ao Boulevard Saint-Michel, a fervilhar de vida… e de carros (definitivamente não sei se vou alguma vez conseguir andar de bicicleta aqui em Paris, é que tenho mesmo medo dos condutores…. Estes automobilistas ainda conduzem pior que eu, pá!)! A hora de ponta por aqui é mesmo um caos! Bem, é só relembrar o Joe Dassin na música "La Complainte De L'heure De Pointe"! O Boulevard de Saint-Germain que cruza o de Saint-Michel fica para explorar no sábado, aproveitando que vou à oração a St. German des Près.
Aproveitando estar em Les Halles, pensei em dar um saltinho ao Centre Georges Pompidou e assim começar a devorar museus… infelizmente hoje, como era 3ª feira estava fechado! Que sorte, hein? Pas de problème! Deu para estar sentada a descansar na praça em frente ao museu a delinear com o mapa o percurso da tarde e comer a sandocha que levei para o lanche. E ainda havia um bacano a tocar guitarra e a cantar. Só era pena cantar tão mal e tocar ainda pior! Como não podia deixar de ser, visitei a Fonte de Stravinsky (Fontaine des automates), em homenagem ao compositor Igor Stravinky (um dos meus favoritos, não fosse ele ser russo!)
Enfim, enveredei pela rua Rambuteau que desenha a fronteira entre o 3ème e o 4ème arrondissement, e depois cortei na St. Denis, onde, para além de quase ter sido atropelada por bicicletas assassinas para aí umas 10 vezes, encontrei a Igreja de St.Leu e de St. Gilles, uma igreja gótica muito simpática onde estive um bocado. O que gosto no gótico (e que nesta igreja não me desiludiu) é a forma como nos leva mais alto – graças à sua verticalidade, fruto dos arcos quebrados/ogivais, a luz que falta aos edifícios românicos e que parece mesmo aquecer o coração. Foi também aqui que fiquei a conhecer um santo: St. Benôit Labre, que não escreveu livros nem tratados espirituais e era um homem de poucas palavras; era um viajante sem bagagem, que partia de manhã sem saber onde passaria a noite, nem quando tempo duraria a viagem. Dizia que o essencial é pormo-nos a caminho, sem bagagens inúteis, numa peregrinação interior que nos leva até Deus, tendo como guia sempre Jesus Cristo. Não sei porquê, mas as palavras que li (se não me engano, qualquer coisa como: “Suivre le guide; Partager le peu qu’on a; Ne jamais se décourager; Ne jamais s’installer”) tocaram-me…
Seguindo pela Rue Étienne Marcel (que termina na Place des Victoires – consagrada às victórias de Luís XIV) e depois pela simpática Rue de Montmartre, voltei a Les Halles para encontrar a belíssima Église de Saint Eustaque, de um gótico gigantesco e fachada gótica-neoclássica, que cumpre a sua missão de elevar qualquer um até ao céu. Uma daquelas jóias de Paris que quem não está atento deixa escapar; tem umas capelas deambulatórias lindíssimas, todas pintadas; a não perder a capela do Santíssimo Sacramento, não só para um momentinho de recolhimento, mas também para se deixar deslumbrar pela beleza das pinturas.
Continuando o passeio e, depois de passar pela Tour de Saint Jacques, pude chegar à Pont Notre Dame sobre o Sena e admirar a Île de la Cité, com o seu Hôtel-Dieu (que, não, não é um hotel mas sim o hospital mais antigo de Paris onde estiveram médicos/cirurgiões como Bichat, Dupuytren e Trousseau - epá! já ouvi estes nomes em algum lugar...) e a Conciergerie. Ao fundo, podia adivinhar-se a Torre da Saint-Chapelle (definitivamente a revisitar noutro dia). E depois de passar pelo Palais de Justice, fui visitar Notre-Dâme, claro! Tive a sorte de chegar mesmo a tempo das vésperas e de ouvir o órgão da igreja tocar! Ligeiramente arrepiante! Quanto a Notre-Dâme em si, devo confessar que não teve o mesmo brilho que teve para mim há uns anos; não sei, depois de visitar outras igrejas como a Catedral de Reims, a Catedral de Chartres, ou a de Bourges (e isto só para falar de algumas igrejas francesas, já nem falo de italianas ou mesmo alemãs!), não me tocou verdadeiramente… Uma notinha para a Pièta com a Cruz que está atrás do altar-mor – essa sim, com a iluminação que tinham colocado, estava absolutamente divinal! Ah! Nota também para os contrafortes e arcos botantes no exterior da igreja, que desenham uma espécie de esqueleto que equilibra toda a construção.
De seguida, perdi-me na simpática e animada Rue da la Huchette e arredores, com “milhões” de restaurantes, principalmente gregos, até que cheguei ao Boulevard Saint-Michel, a fervilhar de vida… e de carros (definitivamente não sei se vou alguma vez conseguir andar de bicicleta aqui em Paris, é que tenho mesmo medo dos condutores…. Estes automobilistas ainda conduzem pior que eu, pá!)! A hora de ponta por aqui é mesmo um caos! Bem, é só relembrar o Joe Dassin na música "La Complainte De L'heure De Pointe"! O Boulevard de Saint-Germain que cruza o de Saint-Michel fica para explorar no sábado, aproveitando que vou à oração a St. German des Près.
Ainda passei pela Sorbonne, antes de ir até ao Jardin du Luxembourg, onde estive a ler um bocado do meu mega novo livro e apanhar um super solzinho, acompanhada por uma bela de uma banda sonora… Diana Krall; entre outros como o seu Just The Way You Are, com direito ao cimo da torre Eiffel a compor a paisagem lá ao fundo.
Bela forma de acabar o dia :)
PS1: Bolas! Só hoje reparei que me esqueci da máquina fotográfica!
5 comments:
Olá... Que bela forma de iniciar esta maravilhosa experiência na cidade Luz. Nada melhor do que aproveitar tudo o que Paris te pode oferecer, nos teus tempos livres. Eu nunca fui a Paris...tá quase, mas com a tua descrição parece que já conheço tanto. Aproveita cada momento.
Grande Beijinho
Duarte
Mary B.!
Bem, várias coisas:
1) Não sabia que tinhas tanto jeito para a escrita... Muitos parabéns! O texto é perfeitamente viciante!
2) É incrível a quantidade de sitios que já visitaste em tão pouco tempo... genial.
É bom saber que estás bem, que o sitio é giro. A experiência promete! :)
Desde aqui, um bjim enorme... cá te esperamos!
Duarte: só falta quase quase um mês para cá dares um saltinho! Ando a desbravar terreno para depois vos fazer um "tour" de jeito ;)
Miguel: Saudades!!! Epá a nossa equipa em Uro era a melhor ;) quando cá quiseres vir à La Roche-Posay, Avène ou coisa assim, é só avisar ;) toma conta da turma 17!
Olá Bia!!!
Estou a ver que já andas a fazer o reconhecimento da cidade de Paris!! daqui em breve serás uma óptima guia!!eheh...
Pelo que vejo, vais te divertindo em conhecer alguns cantos da cidade. Com as tuas descrições, também nó vamos tendo essa oportunidade!!
Aproveita cada dia... aproveita o presente, que o futuro ainda não chegou!! Carpe Diem!!
Ah outra coisa... não é que os 3 moços sejam tão rápidos como o TNT, o FEDEX, mas se quiseres, no fim de Outubro, eles poderão levar-te a máquina!!eheh
bisous!!!
oi Bia!!! gostei muito do teu blog sempre dá para matar saudades e ficar a saber o que andas a fazer ai por Paris ;) Ao ler as tuas descrições destes situos fiquei cheia de vontade de os conhecer pessoalmente. Tenho a certeza que vai ser um ano em grande por isso aproveita cada momento. Bjs grandes.
PS: deixa lá os pombos, eles vão ter contigo para que não tenhas saudades de Lisboa :)
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