Wednesday, September 22, 2010

Museemania!

Tendo em conta que só poderei tratar do resto da papelada e afins a partir de 6ª feira quando resolver as últimas questões na faculdade, há que definitivamente aproveitar todos os momentos para passear! E devo dizer que o que custa é escolher por onde começar!


Depois de uma manhã calminha em arrumações no quarto, nada como rumar em direcção ao centro. E como sou teimosa que nem um burro, resolvi arrumar de vez o assunto "Pompidou".
O Centre Georges Pompidou fica situado no 4ème arrondissement, perto de Les Halles e o Marais, e tem no seu interior, entre outros, o Museu Nacional de Arte Moderna que não é nada mais nada menos que o maior museu de arte moderna na Europa.


Gostei especialmente da exposição dedicada ao período 1905-1945. Comecei pelo Fauvismo (caracterizado pelo uso livre da cor e pelo contraste) e nada como um belo Matisse para começar a visita; no entanto, foi um pintor que não conhecia - Vlamick - que me roubou definitivamente a atenção com o seu "Les arbes rouges". Este pintor, juntamente com Matisse e Derain, constitui um dos expoentes máximos do movimento fauvista.

Seguindo rapidamente pelo Expressionismo, fui ter à sala do Cubismo que, infelizmente estava fechada. Mesmo assim, ainda deu para dar um olhinho em alguns "Braques" (definitivamente um dos melhores pintores cubistas - até me atreveria a dizer mais genial que Picasso... espero que ninguém me bata!)
Nas salas seguintes, encontrei vários quadros do Kandinsky, pintor que sempre admirei pelo facto de todas as suas obras serem marcadas pelo ritmo, cor, linhas curvas, por uma certa musicalidade... Não é por acaso que é dele a frase: "I think I can find something between sight and hearing and I can produce a fugue in colours as Bach has done in music".
Como não podia deixar de ser, dei um saltinho ao Dadaísmo (=absurdo; procura do escândalo; liberdade total) para encontrar a "Fontaine" do Duchamp - um urinol branco. É só imaginação!
Ainda a assinalar o Surrealismo - sem esquecer Miró, Max Ernst e Dali. Tive vontade de trazer uma secretária que estava em exposição na parte da arte italiana (Bureau de Carlo Mollino), mas lembrei-me que tinha deixado a mochila no "guarda-mochilas" (neste momento estou com amnésia parcial e não me lembro do raio do nome do sítio!)
Nota do Pompidou: 9/10 (pas mal!)


...E como já eram 4h30 da tarde, há que se pôr a caminho porque ainda há muito para ver! Passei pela simpática Église de St. Merry num gótico do século XVI. Fiquei a saber que tem o sino mais antigo de Paris, que data de 1331 e que sobreviveu à Revolução Francesa!

Depois de andar um pouco pela Rue du Rivoli, fui brindada por um pseudo-concerto de órgão em Saint-Germain l'Auxerrois, uma pequena igreja que fica em frente (ou atrás, depende!) do belo Louvre!

Nada como passear, com o Sena de um lado e o Louvre do outro! O problema era mesmo os carros: é que são tantos tantos que parece que nascem do chão ou que caem do ar... Mas nada disso pôde impedir-me de apreciar a outra margem (sul?), com o Institut de France, o belíssimo Musée d'Orsay (paragem obrigatória no próximo sábado!) e a Assemblée Nationale.

Entretanto, cheguei ao meu destino - a Orangerie que fica no fundo do Jardin des Tuileries e que dá para a Place de la Concorde (que no centro tem um obelisco gigante, que foi dado pelo governo egípcio ao governo francês; originalmente marcava a entrada no Templo de Luxor; foi nesta praça que a guilhotina se fartou de trabalhar na Revolução Francesa!). É do lado oposto à Orangerie que começam... os Champs Élysées, où "il y a tout ce que vous voulez"!

Quanto à Orangerie em si, é um museu super simpático, com uma colecção sobretudo impressionista (o que é excelente para abrir o apetite para a "revisitação" d'Orsay!): Cézanne, Renoir, Gauguin, Mondigliani, Derain, Utrillo e ainda uns Picassos e Matisses meios "disfarçados". Ah! E não esquecer as duas salas ovais com 8 pinturas dos nenúfares (Nymphéas) do genial Monet - a música ambiente e a temática ajudavam a entrar num estado completamente zen!
A não perder mesmo!! Nota: 8,5/10


E como já é da praxe, acabei o passeio sentada à beira de uma fonte no Jardin des Tuileries, a aproveitar o céu azul com um sol lindo, com o livro do Clarke...


Paris c'est super! (pelo menos, até começar o trabalho a sério ;) - oh mon Dieu! Para a semana já começa a neurocirurgia!)


PS: Com estas andanças todas já ganhei jackpot: 4 bolhas nos pés... pas bon!

3 comments:

joaninha* said...

Isso é que são passeios de fazer inveja... reconheci alguns sítios, e fiquei a conhecer outros... isto é quase um documentário, até temos direito a uma "pitadinha" de franciú :)
É bom saber que te estás a divertir e a aproveitar ao máximo.

Bjinhos

Duarte said...

Kandinsky, ai a minha amiga também gosta de Wassily Kandinsky. É um dos meus pintores preferidos!!! Estou a ver que esta vai ser apenas a minha primeira visita a Paris... desta vez para homenagear a amizade, nas seguintes para apreciar toda essa panóplia de arte, a que fazes referência nestes textos magníficos.

Ahh se quiseres levamos a tua máquina fotográfica ;)

Beijinhos

Duarte said...

Kandinsky, ai a minha amiga também gosta de Wassily Kandinsky... é um dos meus pintores favoritos!!! Estou a ver que esta vai ser apenas a minha 1ª viagem a Paris, desta vez para homenagear a amizade, as seguintes para desfrutar de toda essa panóplia de cultura.

Beijinhos